Presos deixaram delegacia para matar deputado

A polícia do Rio de Janeiro divulgou hoje que dois presos foram os assassinos do deputado federal Valdeci Paiva de Jesus (PSL), morto no último dia 24, em Benfica, zona norte do Rio. De acordo com a Delegacia de Homicídios, omandante do crime foi Wanderley da Cruz, assessor do então suplente de Paiva, Marcos Abrahão.No dia do assassinato, o ex-PM Adílson da Silva Pinheiro, 30, e Jorge Luiz da Silva, 31, deixaram suas celas para executar o parlamentar com 19 tiros. Os envolvidos foram denunciados por um terceiro preso, que se recusou a participar da ação. A polícia investiga agora a conivência de agentes que facilitaram a saída dos dois criminosos.O delegado Luiz Alberto de Oliveira, da Delegacia de Homicídios, disse que o preso que denunciou os demais, cuja identidade não foi revelada, teria se encontrado dois dias antes do assassinato com Pinheiro e Cruz num restaurante da zona sul do Rio, onde tudo foi planejado. Como se recusou a participar da ação, sua família passou a receber ameaças. Com medo, elerevelou a história na última quarta-feira, quando esteve no Fórum para depor sobre outro processo a que responde na 38ª Vara Criminal. Segundo a polícia, ele confirmou que Pinheiro e Silva haviam saído outras vezes da carceragem para cometer delitos. ?Não tenho dúvida de que os três participaram dessa empreitada. Pelo termo de declaração da testemunha (o preso), quem mandou matar foi Wanderley da Cruz. Não tenho por que suspeitar da declaração. O reconhecimento pessoal é inequívoco?, disse o delegado Oliveira. Ele informou também que a única testemunha ocular do crime ? um funcionário da sede do Partido Liberal (PL), perto de onde Paiva morreu ? reconheceu Pinheiro como um dos atiradores. Osdois executores receberam, cada um, R$ 30 mil pelo serviço. A polícia ainda não considera o deputado Marcos Abrahão ? que assumiu o cargo de deputado estadual no lugar de Paiva na semana passada ? mandante da emboscada. ?Wanderley foi quem contratou. Nós vamos investigar a participação de outros mandantes. Não há termo de declaração que diga que foi Marcos Abrahão que mandou matar. Eu não tenho uma prova de confirme isso?, disse o delegado Oliveira. De acordo com o procurador-geral do Estado, Antônio Vicente da Costa Junior, se o inquérito da polícia apresentar provas de que o ex-suplente é culpado, ele poderá perder o cargo na Alerj. O chefe de gabinete do deputado estadual Marcos Abrahão (PSL), Jorge Dias, disse que ele está decidindo com seus advogados que tipo de medida vai tomar para defender seu assessor, Wanderley da Cruz. Apesar da ameaça de ter sua prisão preventiva decretada, Abrahão está no Rio e não teme que sua imunidade parlamentar seja cassada, segundo Jorge Dias. Ele contou que Abrahão e Cruz são amigos de infância e foram criados juntos em Rio Bonito, no interior do Estado. Segundo o chefe de Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, no dia do crime,Pinheiro estava na 52ª Delegacia Policial (Nova Iguaçu) e Silva na 31ª DP (Ricardo de Albuquerque). Quando foi detido, ontem, Pinheiro estava andando livremente na porta da delegacia de Cabo Frio, na Região dos Lagos, para onde tinha sido levado por causa da lotação da carceragem de Nova Iguaçu. O delegado de Cabo Frio, Agnaldo Ribeiro, foi exonerado por permitir que um condenado ficasse fora da carceragem.A Polícia Civil vai investigar as três delegacias que facilitaram a saída dos presos. Cruz foi detido em casa. Silva estava na 59 ª DP (Duque de Caxias), para onde tinha sido transferido também por conta de superlotação.

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