Presos depõem sobre morte de estudante no Rio

O preso Paulo César Fernandes de Souza, de 29 anos, que estava com o estudante Rômulo Batista de Melo até o momento da morte dele, prestará depoimento amanhã para integrantes da Corregedoria Geral Unificada. A expectativa é que ele esclareça detalhes sobre a morte do estudante, que sofreu traumatismo craniano e hemorragia intracraniana enquanto esteve preso na Delegacia de Cabo Frio, acusado de roubo de carro.Souza e Rômulo estavam sendo transferidos para o Hospital Psiquiátrico Heitor Carrilho, no Rio, quando Rômulo passou mal e foi socorrido no Hospital Municipal Modesto Leal, em Maricá, onde morreu. Souza também foi atendido no pronto-socorro. "Parece que ele se queixou de calor. Até agora eu não sei de nenhuma agressão em relação a ele. Vamos apurar", disse o corregedor-geral das polícias, delegado José Vercillo.Hoje, o presidente da comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, deputado Alessandro Molon, esteve reunido com os pais de Rômulo. O encontro serviu para preparar a audiência pública na Alerj, marcada para terça-feira, que vai cobrar da Secretaria de Segurança Pública a prestação de contas sobre a apuração do caso. "Queremos saber, principalmente, se já foi descartada essa hipótese implausível de autolesão", disse Molon. A pedido dele, uma comissão interministerial chega ao Rio quinta-feira para investigar a denúnica de tortura sofrida pelo estudante.Rômulo tinha 21 anos, estudava fisioterapia e passava férias com um amigo em Cabo Frio, na Região dos Lagos. No dia 21, ele foi preso sob a acusação de roubo de carro, mas o veículo pertencia ao amigo dele. O rapaz também havia se envolvido num acidente de trânsito, em que uma pessoa ficou ferida. Dia 27, depois de seis dias na cadeia, ele morreu de traumatismo craniano com perda de massa encefálica e hemorragia intracraniana, quando estava sendo transferido para um hospital psiquiátrico no Rio. Os policiais alegaram que ele havia se autolesionado, chocando-se contra as grades da cela.O secretário de Segurança, Anthony Garotinho, afastou todos os policiais daquela delegacia e determinou a transferências para o Rio dos presos que dividiam cela com Rômulo. Até hoje, os detentos que prestaram depoimento negaram que o estudante tivesse sido agredido por policiais ou presos. A família de Rômulo vai processar o Estado.

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