Presos do CDP 2 denunciam maus-tratos desde setembro

O Centro de Detenção Provisória (CDP) 2, do Belém, onde morreu o seqüestrador de Patrícia Abravanel,Fernando Dutra Pinto, de 22 anos, foi denunciado em setembro pela Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção São Paulo. Espancamentos, falta de atendimento médico e maus-tratos foram algumas queixas feitas à comissão.Um relatório com detalhes foi encaminhado ao secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, e aos juízes corregedores dos presídios, Maurício Lemos Porto e Octávio Machado de Barros Filho. Os advogados ouviram os detentos noBelém e se deslocaram para o CDP de Santo André para ouvir outros presos, que haviam sido transferidos.O coordenador do grupo, João José Sady, disse ontem que as denúncias de tortura no CDP 2 continuam e cobrou providências do secretário. Em setembro e outubro, ele pediu a Furukawa punição dos responsáveis pelos espancamentos e oafastamento do diretor Waldomiro Martins Bueno. Nesta sexta-feira, ele voltou a solicitar "medidas urgentes", pois soube que nada tinha sido feito. "Apesar das acusações, o diretor continua àfrente do CDP", disse Sady. A Assessoria do secretário informou que a corregedoria investiga as acusações.Relatos - Nos documentos encaminhados pela OAB para a Secretaria da Administração Penitenciária estão relatos escritos por muitosdetentos. Quarenta e duas pessoas disseram à comissão que foram espancadas. Vinte e duas foram transferidas posteriormente para o CDP de Santo André. Um dos presos acusou o diretor de disciplina e seis agentes como responsáveis pela escolha dos 42 espancados. Cícero Braz da Silva declarou ter sido torturado nos dias 19, 20 e 22 de setembro nas dependências do setor disciplinar. Mostrava obraço fraturado, hematomas pelo corpo e ferimento na cabeça. Teria sido espancado por ser acusado de participar de uma tentativa de fuga.Ed Carlos Souza também afirmou aos advogados ter sido atingido por golpes de cano de ferro. Tinha ferimentos nas costas bacia, braços, pernas e clavícula. Daniel Tavares de Campos escreveu que os agentes alegaram em seus relatórios que osferimentos haviam sido provocados por presos. "Não fui agredido pelos detentos, mas pelos funcionários."

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