Presos do PCC em greve de fome se recusam a fazer exames

Detentos do Primeiro Comando da Capital (PCC), em greve de fome há quatro dias no Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) de Presidente Bernardes, no interior de São Paulo, se recusaram a fazer exames médicos exigidos pela Justiça. Nesta quinta-feira, 9, mais uma vez 44 presos rejeitaram a comida servida a eles. Outros 14 se alimentaram normalmente.O detento Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como principal líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), e mais cinco membros da cúpula da facção não quiseram receber os médicos que foram fazer os exames clínicos para avaliar a saúde deles, na quarta e nesta quinta.De início, as avaliações seriam feitas na enfermaria, mas como a maioria dos presos se recusava a sair, os médicos entraram nas celas. Seis dos 44 presos em greve não deixaram os profissionais fazerem os exames. Assim, os médicos só conseguiram avaliar visualmente o estado de saúde dos detentos, mas foi o suficiente para saber que nenhum deles passava mal."Eles estão bem porque faz poucos dias que começaram, mas se continuarem sem comer a saúde pode se deteriorar a partir da semana que vem, dependendo de cada preso", disse o médico Caetano Maurício Falcão. Segundo os médicos, ao contrário do que disse o governador Cláudio Lembo, os detentos em greve não possuem alimentos nas celas, apenas água. Na sexta, 10, mulheres de presos e militantes de uma ONG de direitos humanos deverão fazer uma manifestação de protesto na frente do presídio. Eles vão engrossar as críticas dos presos sobre as mudanças nas instalações carcerárias e no regimento interno do CRP. Os presos reclamam da instalação de placas de metal que reduziram a ventilação nas celas, da colocação de um vidro que impede o contato físico com as visitas e do cheiro de tinta dentro das celas. Além disso, eles também contestam mudanças nas regras de permanência no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), que teriam sido mudadas com a entrada do novo secretário Antônio Ferreira Pinto. As novas regras obrigam os presos a dormir e acordar mais cedo e impede os abraços aos parentes nas visitas em datas festivas, como Dia dos Pais, Dia das Mães, Natal e Ano Novo.Funcionários do presídio confirmaram nesta quinta que o PCC planeja mesmo atacar agentes penitenciários caso o governo não atenda as reivindicações da facção em 60 dias.

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