Presos dois acusados de integrar máfia chinesa

Os chineses Chen Jun Ying, de 34 anos, e Ian Jan Jian, de 20, suspeitos de fazer parte da máfia chinesa que vem agindo em São Paulo, foram presos, na tarde desta segunda-feira, por agentes do Ministério Público Estadual, acusados de extorquir o também chinês, Li Yung Zhau, de 32 anos, dono da avícola da Avenida Imirim, zona norte de São Paulo. Se Zhau não pagasse R$ 5 mil, ele e a família morreriam.O promotor Roberto Porto, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que coordenou a prisão, disse que os chineses da República Popular da China, em São Paulo, são proprietários de 160 avícolas na capital e 80% deles já pagaram aos mafiosos de R$ 3 mil a R$ 5 mil. "O senhor Zhau pagou R$ 2,5 mil no ano passado e, desta vez, decidiu enfrentar os criminosos", explicou Porto.Bilhete ameaçadorNa sexta-feira, Zhau foi procurado em sua avícola por Ying e Jian. Eles deixaram um bilhete com ameaças e o número de um celular para marcar o local de pagamento. Orientado pelo promotor, Zhau negociou e ficou estabelecido que daria R$ 1 mil. Nesta segunda-feira, numa mesa do restaurante Reis dos Reis, na Praça Carlos Gomes, na Liberdade, quando recebia o dinheiro, Jian foi preso. Ele levou os agentes do Ministério Público ao apartamento nº 1.301 da Rua Álvares Carvalho, 118, no Anhangabaú, onde Ying foi preso. Com um dragão tatuado no ombro esquerdo, Ying negou a extorsão.?Taxa de proteção?Para o promotor, ele deve ter um posto de destaque no grupo que vem obrigando os chineses estabelecidos em São Paulo com avícolas, lanchonetes, restaurantes e lojas a pagar taxa de proteção.Os dois presos estão ilegalmente no Brasil desde 1998. Ying tinha um revólver calibre 38 e, além da extorsão, foi autuado por porte ilegal de arma.Com as prisões de hoje, já são dez os chineses autuados em São Paulo, em seis meses, acusados de ameaça e extorsão.

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