Presos dominam carcereiro e iniciam motim no Rio

Detentos do Presídio Ary Franco, em Água Santa, na zona norte do Rio, tomaram um agente penitenciário como refém e incendiaram colchões no fim da manhã desta segunda-feira, 4. O tumulto ocorreu na galeria A, onde estão cerca de 400 homens, e foi contornado em cerca de duas horas. Ninguém ficou ferido. Os presos exigiam transferência para o Presídio Evaristo de Moraes, onde ficam os ameaçados de morte.Há duas versões para o início do motim. De acordo com o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciário, Paulo Ferreira, o agente Evair Ramos Rosa foi dominado quando abria uma das celas para que um preso entrasse, depois do banho de sol. O funcionário teve de entregar as chaves das celas, que foram abertas.Colchões foram queimados. Presos que cometeram crimes federais, e que ficam isolados numa das alas da galeria, ficaram encurralados pela fumaça. Alguns detentos queixaram-se também do que classificaram de "regalias" dos presos federais. O deputado estadual Geraldo Moreira, presidente da comissão de Direitos Humanos, negou ter visto regalias. "Os presos por crimes federais são em menor número, por isso têm mais espaço. Mas não vi nenhum benefício especial para esses presos."Já de acordo com a Assessoria de Imprensa da Secretaria de Administração Penitenciária, o motim foi iniciado por 54 presos de duas celas onde ficam os ameaçados de morte.Eles incendiaram dois colchões e ameaçavam queimar outro preso, quando o agente interveio e foi dominado. O diretor do presídio, Odilon Barros, e o subsecretário das Unidades Prisionais, Francisco Spárgoli, negociaram a rendição dos presos com a promessa de que não haveria retaliação e a transferência seria estudada."Meu marido não pertence a facções criminosas e sofre ameaças aqui dentro. O Evaristo de Moraes é o presídio onde ficam os presos do seguro (ameaçados). Não sei por que trouxeram ele para cá", queixou-se uma mulher de detento.A galeria A fica no subsolo do presídio. Quatro celas tiveram portas destruídas. Toda a galeria ficou inundada durante o trabalho dos bombeiros para apagar o fogo. O diretor do presídio disse ao deputado Geraldo Moreira que as portas seriam consertadas ainda nesta segunda e os presos receberiam novos colchões.

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