Presos falam por celular em presídio e negam ação do PCC

De dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) disseram nesta quarta-feira, 7, aoEstado que a facção nada teve a ver com os ataques contra ônibus e policiais, terça-feira à noite, em São Paulo. A entrevista foi dada na frente do portão do presídio que, naquele momento, estava ocupado pela tropa de choque da Polícia Militar. Durante cerca de 10 minutos, três presos falaram com a reportagem, principalmente para reclamar de maus-tratos. A conversa foi intermediada pelo advogado Jerônimo Ruiz Andrade Amaral, defensor de vários presos, que confirmou que os detentos falavam de dentro do presídio. A conversação foi interrompida várias vezes em razão da aproximação de agentes. Aquele que parecia ser o líder disse que o PCC não tinha "nada com isso", respondendo a uma pergunta sobre uma possível represália por ter sido usada a tropa de choque para reprimir o motim. "O que tem são pessoas usando o nome do PCC para fazer várias coisas que nós não estamos fazendo." Nenhum dos presos se identificou, nem mesmo pelos apelidos. Eles reclamaram que a PM disparou balas de borracha contra os detentos, por isso eles "quebraram" as celas. Remanejamento de detentos Segundo o líder, dois presos ficaram feridos pelos disparos e foram levados para a enfermaria. Ele negou que os presos tivessem se rebelado contra um remanejamento de detentos nos seis pavilhões. "Se fosse rebelião, com certeza tava todo mundo do lado de fora e com refém." A revolta ocorreu, segundo ele, porque "sem mais nem menos" os guardas dispararam contra os detentos. "Aqui nós não começamos nada, quem começou foram eles (os guardas)", disse outro preso. "Chegam e vão apontando a 12, atirando, dando porrada." Ele reclamou que as visitas são humilhadas. "A família entra embaixo de cano de 12." Também reclamou do excesso de "castigos" na P II. "São só duas horas de sol." O terceiro preso disse que "ninguém quer brigar, o preso quer é cumprir a pena para sair fora." Ele também negou a participação do PCC nos ataques de segunda-feira e deu sua versão. "Não é o primeiro comando, é a população em si que vê que não tem lei, não tem nada." O líder voltou à conversa para dizer que "ninguém quer brigar, mostrar força para o governo, só quer tirar cadeia com dignidade." Ele disse que a situação carcerária é "grave", com prisões superlotadas e abusos. E alertou: "Ninguém mais suporta o que o governo está fazendo." Agentes Os agentes de segurança penitenciária e funcionários da P II divulgaram um comunicado no qual acusam os presos de serem os responsáveis pelos ataques. "Dizem não serem responsáveis por atentados e que não mataram ninguém. No entanto, nossos colegas são mortos e há baixas somente do nosso lado." Eles alegam que correm risco por cumprirem suas obrigações. "Quiséssemos viver em paz, bastava cruzar os braços e deixá-los à vontade para extorquir os presos que não fazem parte de facções, falar no celular para cuidar dos seus negócios no tráfico de drogas, planejar outros crimes, fazer o que bem entendessem."

Agencia Estado,

07 Fevereiro 2007 | 17h13

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.