Presos fazem greve branca contra opressão carcerária em SP

A maioria dos detentos do sistema penitenciário paulista iniciou na manhã desta quarta-feira uma greve branca, convocada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), para denunciar suposta opressão humanitária praticada pelas autoridades carcerárias contra os colegas presos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no Oeste do Estado de São Paulo.Levantamento feito pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) constatou que o movimento atingiu, até o início da noite, 80 das 144 unidades penitenciárias do Estado, que abrigam 132 mil detentos. O movimento teve início de manhã e foi crescendo até atingir 65% dos presos do sistema no final da tarde.Os detentos grevistas se recusaram a sair para o banho de sol, a atender as intimações judiciais e a comparecer às oficinas para trabalhar. Em alguns casos se negaram a fazer os trabalhos internos, como distribuição de comida e limpeza.O movimento foi convocado por detentos da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, onde estão presos 729 militantes do PCC. A convocação, segundo apurou o serviço de inteligência da SAP, começou a ser feita em meados de fevereiro, por meio de salves passados a visitas e levados para outros presídios, e por telefonemas feitos por celulares de dentro das celas.A iniciativa surgiu depois da suspensão das visitas dos familiares aos presos da P-2, determinada pela SAP após os ataques a ônibus e uma viatura em São Paulo, no dia 06 de fevereiro. Na ocasião, houve revista na P-2 e 18 celulares foram encontrados. Três detentos - Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue; Fabiano Alves de Souza, o Paca; e Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka - flagrados com celulares, foram transferidos para o Regime Disciplina Diferenciado (RDD) da Penitenciária de Presidente Bernardes. Formalmente, os três deverão ser acusados de ser mandantes dos ataques, informou uma autoridade regional da SAP.A Tropa de Choque da Polícia Militar passou esta quarta-feira de plantão em frente da P-2, mas não houve necessidade de entrar.Greve branca Publicamente, os presos alegam que o movimento, intitulado por eles, como "greve branca", segundo a SAP, foi iniciado para protestar contra a "opressão carcerária" presente no sistema. Numa carta entregue aos jornalistas e endereçada à primeira-dama do Brasil, Marisa Silva, os detentos afirmam que estão sendo oprimidos e humilhados há muito tempo por agentes penitenciários e pelas autoridades carcerárias e avisa da possibilidade de um movimento."Às vezes somos obrigados pela ignorância do próprio governo a fazer algo contra a nossa vontade, mas são (sic) a única forma de o governo nos ver e nos ouvir", diz o texto, de 3 páginas, assinado pela "População Carcerária do Estado de São Paulo".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.