Presos fazem seis reféns em delegacia superlotada de Salvador

Eles reivindicam transferências para outras prisões da Bahia; motim começou após revista em celas

Ricardo Valota, do estadao.com.br,

08 de dezembro de 2007 | 18h05

Cerca de 80 presos mantêm seis colegas reféns desde às 10 horas deste sábado, 8, na Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE), no Complexo dos Barris, em Salvador. A carceragem, com capacidade para 35 homens, está superlotada e os presos exigem a transferência para outras unidades prisionais. Segundo os rebelados, as celas já chegaram a abrigar 135 pessoas. O motim teve início após o delegado Carlos Habib, titular da DTE, realizar uma vistoria nas celas. Com os presos, foram encontrados um celular e um carregador. Além dos objetos, os policiais descobriram um buraco que estava sendo cavado em uma das celas e ligações clandestinas, vindas de fora, que permitiam o uso de energia elétrica para recarregar os celulares. Segundo Habib, os presos feitos reféns pelos próprios colegas estão com panos brancos sobre as cabeças e com objetos pontiagudos, feitos com garfos e facas, encostados em seus pescoços. "Esse tipo de objeto não pode entrar aqui dentro. A Polícia Civil está trabalhando sobrecarregada. Nosso pessoal aqui não tem condições de fazer revista duas vezes por semana em cerca de 160 parentes que aparecem aqui. Lugar de preso não é em delegacia, mas sim em unidade prisionais adequadas", afirmou o delegado. Os promotores de Justiça Isabel Adelaide Andrade, do Grupo Especial de Atuação no Controle Externo da Atividade Policial (Gacep); e Edmundo Reis, do Núcleo de Investigação do Crime Organizado (NIC-Gaeco), foram chamados ao complexo para ajudar nas negociações. Foram mobilizados para o complexo ambulâncias, bombeiros, homens da Coordenadoria de Operações Especiais e o Policiamento de Choque. Colchões e cobertores foram incendiados pelos detentos, que quebraram todas as grades das celas e jogaram fora as refeições, de acordo com o delegado. "Nós já entramos em contato com a Secretaria de Justiça, para que eles vejam para onde os detentos pode ser transferidos. Neste momento os ânimos já se acalmaram", completou o delegado.  O complexo dos Barris é formado também pela Delegacia de Homicídios e pela 1ª Delegacia de Polícia. Atualmente mantém entre 250 e 300 presos nas três delegacias, cerca de 200 % acima de sua capacidade total: o que o coloca na dimensão de presídios como os de Feira de Santana (município a 110 quilômetros de Salvador e com 570 mil habitantes). Há cerca de três meses, segundo Habib, as mulheres que se encontravam presas no local foram transferidas para as celas da 6ª DP (Brotas), mas o local voltou a ficar superlotado.

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