Presos fogem de cadeia recém-inaugurada

Em apenas quarenta dias de funcionamento, a penitenciária Potim 2, da cidade de Potim, no interior de São Paulo, registrou a primeira fuga. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar facilitação na fuga por parte dos agentes e de policiais militares. Três presos conseguiram escapar do presídio, na madrugada de domingo, pelo telhado da cozinha do estabelecimento prisional, considerado de segurança máxima.Munidos de lençóis amarrados, eles escalaram uma muralha e conseguiram escapar, sem que, nem a polícia militar que faz a guarda externa, nem os funcionários de plantão, que cuidam da segurança interna, notassem. "O que os presos faziam fora da cela de madrugada? Onde estavam os funcionários?", questiona o delegado Marcelo Vieira Cavalcanti, titular da cidade. A mesma dúvida tem a Secretaria de Administração Penitenciária. O diretor do presídio, Fábio Brandão Martins, vai abrir sindicância para investigar se houve ou não falha na segurança. Nesta terça-feira ele começa a ouvir os funcionários que estavam de plantão e enviará relatórios para a Corregedoria dos Presídios.Policiais militares fizeram hoje uma busca pela região da penitenciária. Durante oito horas, homens vasculharam matagais em busca dos foragidos. Os detentos Denis Pereira Gonçalves, de 23 anos, preso por tráfico de drogas; Waldomiro da Silva, de 39 anos; e Gelson de Góes de 33 anos, que respondem por roubo continuam soltos.Com capacidade para 768 detentos, a penitenciária 2 de Potim está hoje com 697 presos. O problema enfrentado no estabelecimento não é a superlotação, mas a falta de funcionários. Sem se identificar, um funcionário denunciou, via telefone, que esta fuga é apenas a primeira, de uma série que estão sendo programadas. "Sem segurança, ninguém consegue controlar os presos" afirmou. Atualmente 68 pessoas trabalham no local. A assessoria da secretaria disse alegou a falta de concurso para o número defasado de funcionários.O presídio, construído por R$ 8,2 milhões pelo governo estadual, faz parte do processo de desativação do Complexo Carandiru de São Paulo e foi inaugurado no último 18 de março, na presença do secretário da pasta, Nagashi Furukawa.

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