Presos integrantes de quadrilha internacional de telefonia

Dois integrantes de uma quadrilha internacional de telefonia clandestina foram presos nesta sexta-feira à tarde em Copacabana, zona sul, por agentes da Delegacia Fazendária. Com conexões no Oriente Médio, os criminosos atuam no País desde, pelo menos, abril do ano passado, quando duas outras pessoas foram presas no Paraná em situação semelhante. De acordo com o advogado da Embratel, Renato Tonini, o prejuízo da empresa com as atividades clandestinas em todo o país chega a US$ 1 milhão.Syed Mazibul Haque e Ismaeil Mahmoud Solyman Abou Gazar estavam em um apartamento alugado, na Rua Joaquim Nabuco, onde a polícia encontrou sofisticados equipamentos de telefonia em funcionamento. Em uma sala comercial na Rua Miguel Lemos, também em Copacabana, havia 45 linhas telefônicas, entre outros aparelhos. Haque apresentou à polícia um passaporte de Bangladesh, emitido pela embaixada desse país no Kwait. Com Gazar - que é naturalizado brasileiro e alugava os imóveis - foram encontrados dois passaportes. Em um dos documentos ele é palestino. No outro, israelense.A Delegacia Fazendária vai pedir a colaboração da Polícia Federal e da Interpol para aprofundar as investigações, inclusive sobre movimentações financeiras da quadrilha. Ainda não se sabe quem eram os usuários do serviço clandestino. "Ainda estamos no início das investigações. Não sabemos para que atividades estavam sendo usadas essas ligações", disse a delegada Marta Cavalliere. Do Brasil, a quadrilha abriu linhas telefônicas que eram exploradas a partir do exterior, em países como o Kwait e Bangladesh.Contas telefônicas apreendidas pela polícia mostravam ligações feitas também para o Egito, Índia, Emirados Árabes, Filipinas, Estados Unidos, Sudão, Quênia e para as Ilhas Cayman, conhecido paraíso fiscal no Caribe. As contas da Embratel estão no nome Luis Francisco Reis Martinelli e as da Telemar no de Antônio dos Santos. Algumas ultrapassam R$ 6 mil e nunca foram pagas. A polícia ainda não sabe se essas pessoas existem ou se são nomes fictícios.A quadrilha que operava em Copacabana está sendo investigada há seis meses. De acordo com a delegada Marta Cavalliere, a maior dificuldade para chegar aos criminosos foi sua alta mobilidade. Eles alugam apartamentos por temporada, geralmente na zona sul, e os usam por no máximo 20 dias, mudando-se em seguida. "Quando chegávamos aos locais rastreados já não tinha mais nada", explicou. Os dois homens ficarão presos na carceragem da Polinter e podem ser condenados por operação clandestina de telefonia e furto de sinal, com penas que somadas podem alcançar 14 anos de cadeia.

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