Presos mantêm enfermeira e agente como reféns em Curitiba

Pelo menos 114 presos, de acordo com o governo do Paraná, iniciaram uma rebelião por volta do meio-dia desta segunda-feira, 23, no Centro de Detenção e Ressocialização de Piraquara (CDR), na região metropolitana de Curitiba. Eles mantêm como reféns uma enfermeira e um agente penitenciário. De acordo com a Polícia Militar, alguns dos presos rebelados pedem a transferência para seus Estados de origem. Eles estariam alegando que, em razão dos horários rígidos para visitas, os familiares deslocam-se de muito longe e, às vezes, não conseguem chegar na hora.A imprensa foi mantida distante do local onde estava ocorrendo a rebelião no complexo que inclui, além do CDR, a Penitenciária Central do Estado (PCE), a Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP) e o Centro de Triagem. De acordo com o governo do Estado, os presos de quatro galerias do CDR estavam rebelados, permanecendo no pátio da unidade. De acordo com a Polícia Militar, não havia nenhuma pessoa ferida.O Centro de Detenção e Ressocialização foi inaugurado no dia 19 de junho deste ano e tem capacidade para 960 presos. Segundo a Secretaria da Justiça e Cidadania, 844 pessoas ocupam o espaço. A maioria dos presos foi transferida nos últimos meses da Penitenciária Provisória de Curitiba, no Bairro do Ahú, em Curitiba, que foi desativada. Um grupo com pelo menos cem policiais militares da Tropa de Choque deslocou-se até a unidade para tentar conter a rebelião.O pai de um dos presos, o pedreiro Alcides Alves Soares, que mora no Bairro Sítio Cercado, em Curitiba, disse que seu filho Hamilton de Lima Soares, preso por roubo, está há três meses no CDR e, desde então, eles não puderam manter nenhum contato. "Deixei carta na recepção, eles disseram que iam entregar, mas não recebi nenhuma resposta", afirmou.Há cerca de um mês e meio, o presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Paraná, deputado José Domingos Scarpelini (PSB), recebeu denúncias de que presos estariam sofrendo maus-tratos no CDR. "Quando estive lá estava tudo em ordem", disse. As maiores reclamações, segundo o deputado, foram em relação ao banho com água fria. Eles também disseram que não havia nenhuma oficina de trabalho que ajudasse na ressocialização, diferente da condição que tinham quando estavam na penitenciária do Ahú.Em Umuarama, no noroeste do Paraná, presos arrancaram algumas grades das celas, na noite de domingo, 23, durante uma rebelião. O motim foi contido com a invasão do local pela Polícia Militar, que utilizou bombas de efeito moral. Os presos pediam revisão dos processos criminais e reclamavam da lotação da cadeia. O local foi feito para receber 64 pessoas, mas está com 200.Matéria ampliada às 19h48

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