Presos na operação da Polícia Civil lotam presídio em MT

Ao menos 130 pessoas foram presas em Mato Grosso acusadas de homicídios, furtos, porte ilegal de armas e tráfico de drogas. As detenções fizeram parte da primeira operação nacional conjunta que está sendo coordenada pelo Núcleo de Operacionalidade do Conselho Nacional de Chefes de Polícia Civil (CONCPC), ligado ao Ministério da Justiça. O objetivo da operação foi cumprir mandados de prisão expedidos pela Justiça em 27 Estados da federação. Levantamento do Departamento de Atividades Especiais da Polícia Civil do Distrito Federal apontou que existem pelo menos 900 mandados de prisão para serem cumpridos no Brasil. Na operação, que provocou superlotação nos Presídios do Carumbé e Pascoal Ramos, em Cuiabá, também foram apreendidas 12 armas. Mato Grosso tem um déficit de 3.300 vagas no sistema penitenciário.Na avaliação do secretário de Justiça e Segurança Pública, Carlos Brito, a operação superou as expectativas. "As polícias de Mato Grosso estão fazendo o seu trabalho", salientou Brito. "E essa operação superou as expectativas", disse ele. Cerca de 150 investigadores e policiais militares, além de 25 delegados, participaram da ação realizada no Estado. (FIM)Distrito FederalNa capital do País, foram presas 43 pessoas condenadas por homicídios que se encontravam foragidas. Chamada ONPC-1, por ser a primeira de uma série, a operação começou na segunda-feira com ações de inteligência e culminou com o mutirão nacional de ontem. Em Brasília, que tem 451 assassinos à solta, foi dada prioridade à captura de autores de homicídio. Coordenada pelo Conselho Nacional de Chefes de Polícia Civil dos estados, a operação inaugura um processo de atuação policial cooperativa entre as unidades da Federação. Segundo o delegado Celso Ferro, diretor do Departamento de Atividades Especiais, tem também o objetivo de alertar às autoridades federais sobre a ausência de articulação nacional nas políticas públicas de segurança. "A falta de integração operacional e sobretudo de intercâmbio de informação, prejudica a eficiência policial", disse.A crítica tem como endereços o Ministério da Justiça e em particular a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), criada para articular e apoiar as ações dos estados no combate à criminalidade. "Não temos sido ouvido na formulação de políticas públicas, na elaboração de leis, nem na destinação de recursos", queixou-se Ferro.O Conselho tem como presidente Mário Jordão Toledo Lemos, diretor da Polícia Civil de São Paulo, governado pelo tucano José Serra e por Cleber Monteiro, diretor da Polícia Civil de Brasília, governada pelo pefelista José Roberto Arruda. O secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, não quis comentar a reclamação. A Assessoria do Ministério da Justiça informou que a ação integrada é uma das prioridades do Sistema Único de Segurança Pública e que a Polícia Federal tem coordenado rotineiramente operações bem sucedidas de combate ao crime em articulação com as polícias estaduais.A operação mobilizou 246 policiais e abrangeu todas as cidades satélites, onde vivem mais de 2 milhões de habitantes. O mapa da violência coloca Brasília entre as mais altas taxas de homicídios do País. Muitos dos assassinos fugiram para outros estados. O Conselho vai distribuir cópias dos mandados e fichas dos fugitivos para as demais unidades da Federação ajudarem na captura. Os próximos alvos serão os crimes de estupro e assalto, que estão entre os que mais crescem em Brasília.SalvadorUma carreata com cerca de 60 veículos da Polícia Civil baiana marcou, com muito barulho de sirenes - e causando congestionamentos em Salvador (BA) - o fim da participação dos agentes do Estado na 1ª Operação Nacional das Polícias Civis, no início da tarde desta sexta-feira.Ao todo, segundo a Polícia Civil, participaram das ações de combate ao crime 130 delegados e mais de mil agentes ao longo de quatro dias - entre 19 e 22 de março. Na Bahia, a operação ficou restrita à capital.O resultado: 24 prisões em cumprimento a mandados de prisão em aberto (na maioria dos casos, por envolvimento em assassinatos e em assaltos e furtos), 48 detenções em flagrante e apreensão de 16 adolescentes infratores, também em flagrante. Além disso, os policiais apreenderam 24 armas, oito quilos de maconha, um quilo de crack e 500 gramas de cocaína, além de 11 veículos ilegais.Para o delegado-chefe da Polícia Civil na Bahia, João Laranjeira, a operação foi um sucesso, não só pelas prisões e apreensões, mas pela prevenção. Comparando-se os crimes ocorridos em Salvador na semana em que ocorreu a operação com os que foram cometidos na semana anterior, Laranjeira mostra que houve 62% menos homicídios, 28% menos roubos de veículos e 30% menos roubos a pedestres. "Não adianta só colocar os policiais na rua, é preciso um planejamento antecipado, com análise e diagnóstico dos locais de maior incidência de delitos, para que os resultados apareçam", afirma o delegado.O diretor do Departamento de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP), delegado Arthur Gallas, que coordenou a operação em Salvador, também comemorou os resultados. "Com o esforço, conseguimos elucidar, em poucos dias, vários homicídios praticados em Salvador e municípios circunvizinhos", afirma.Ele acrescenta que a iniciativa, desencadeada simultaneamente em todas as capitais e regiões metropolitanas do País, foi um passo importante para a criação de um banco de dados único das Polícias Civis e para o combate unificado à criminalidade.CearáA Operação Nacional da Polícia Civil no Ceará se concentrou na Avenida Beira-Mar e na Praia de Iracema, em Fortaleza. Cento e cinqüenta policiais civis, em conjunto com a Polícia Militar, a Polícia Federal e organizações governamentais e não governamentais de combate à prostituição infantil e tráfico de drogas vasculharam bares, barracas, hotéis e flats, prendendo principalmente estrangeiros acusados de turismo sexual. A operação também fez blitze no Sertão, principalmente na região de Santa Quitéria, onde os assaltos a caminhoneiros costumam ocorrer. O roubo de cargas ali é um desafio para a Polícia. O superintendente da Polícia Civil do Estado, delegado Luís Carlos Santas, comandou pessoalmente a manobra. Ele disse que ela é ação de rotina da polícia cearense e que agora foi engajado na operação nacional. A ação cearense em conjunto com a nacional prossegue neste sábado e domingo, na região metropolitana de Fortaleza.Tiago Décimo, Lauriberto Braga, Nelson Francisco e Vannildo Mendes

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