Presos no Rio trocavam cocaína por drogas sintéticas na Europa

Maioria das prisões é no Rio, onde principal fornecedor de droga da classe média foi detido em cobertura

Da Redação, com informações da Agência Brasil,

11 Fevereiro 2009 | 14h59

Parte da droga vendida pela quadrilha presa nesta quarta-feira, 11, era trazida da Europa. Traficantes de classe média do Rio levavam cocaína para a Europa e traziam ao País drogas sintéticas como ecstasy, LSD, haxixe e lança-perfume. Os traficantes estão entre os 51 presos pela Polícia Federal nas operações Nocaute e Trilha Albis, desencadeada em oito Estados. Quase todas as prisões aconteceram no Rio. A maioria dos presos pertence à classe média. Foram apreendidas também armas e pequena quantidade de drogas.   Veja também: Traficante é achado em cobertura do Rio PF busca traficantes de bairros nobres do Rio    As quadrilhas faturavam cerca de R$ 250 mil por cada pessoa que transportava a droga da Europa até o País. A droga era embalada a vácuo, em papel carbono, e acondicionada em fundos falsos, de estrutura "plástica", confeccionados nas "malas" de viagem. Este procedimento impossibilitava o Raio X detectar a droga, que só foi descoberta pelos cães farejadores. As malas usadas para o transporte da droga são de uma marca famosa e custam cerca de R$ 1.100 cada.   No Rio, 40 pessoas foram levadas para a Superintendência da Polícia Federal, na Praça Mauá. Os detidos prestaram depoimento e foram levados para um presídio. De acordo com o delegado Vitor César Carvalho dos Santos, titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da PF, os presos no Rio de Janeiro têm em média 26 anos e pertencem à classe média alta. Um deles, Henrique Dornelles Forni, foi detido na cobertura onde mora, na Lagoa, zona sul da cidade. No apartamento dele, os agentes apreenderam documentos, dois cofres e uma TV de plasma. O jovem, conhecido como Greg, é apontado pela Polícia Federal como fornecedor de drogas sintéticas na zona sul do Rio.   "Eram traficantes que levavam cocaína do Brasil para a Europa e traziam drogas sintéticas para serem consumidas aqui. A saída e entrada da droga no Brasil era pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Santa Catarina e os traficantes formavam casais para não chamar a atenção", acrescentou o delegado.   O grupo investigado pela Operação Nocaute, conforme ele explicou, também traficava armas para favelas do Rio. "Os envolvidos na Operação Trilha faziam parte de uma rede de amigos de infância que costumava traficar as drogas sintéticas em festas, e também estava sendo investigada pela polícia francesa."   Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão e de prisão expedidos pela 7º Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro com base na denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal do estado. Segundo a PF, as investigações da Operação Nocaute começaram em maio de 2008 e da Trilha, em abril do mesmo ano. Os acusados vão responder por tráfico internacional de drogas e associação para fins de tráfico.Se condenados, podem pegar até 20 anos de prisão.

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