Presos pediam pizza por telefone em Ribeirão

A descoberta de outra central telefônica, desativada na quarta-feira passada na periferia de Ribeirão Preto, mas divulgada apenas a partir de ontem, possibilitou à polícia de Franca fazer três prisões em flagrante por tráfico de drogas. Em gravaçõesautorizadas pela Justiça, agentes da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Franca coletaram cerca de 50 horas de conversas entre presos de cadeias e penitenciárias da região. Até pedidos de pizzas foram feitos nesse período e a Delegacia Seccional de Ribeirão Preto vai apurar o caso.O corregedor-geral da Polícia Civil do Estado, Roberto Maurício Genofre, designou o corregedor-auxiliar em Ribeirão Preto, Jaime da Silva Ribeiro Filho, para acompanhar o caso. Ribeiro Filho já abriu inquérito administrativo e policial e ouviu hoje os policiais de Franca que fizeram a investigação. Agora, ele aguarda um laudo do Instituto de Criminalística da cidade, que degravará asfitas. Não há prazo definido para a conclusão do laudo. "Vamos fazer uma investigação séria sobre isso", disse Genofre. Segundo o delegado da Dise de Franca, João Walter Tostes Garcia, o grampo foi pedido à Justiça para investigar um traficante da cidade que estava preso na Cadeia de Vila Branca, em Ribeirão Preto. Com a autorização, foi possível monitorar conversas a partir de uma central telefônica instalada numaresidência do Jardim Branca Salles. Ali, a polícia encontrou cinco aparelhos fixos que possibilitavam transferências de ligações e conferências entre vários aparelhos entre telefones celulares (cerca de dez diferentes) usados pelos presos, além de dois aparelhos sem fixo (da Vésper). Ninguém foi preso.Garcia disse que a próxima etapa é degravar as 50 horas. Segundo ele, outra central telefônica está sendo investigada em Ribeirão Preto. A escuta feita pela Dise francana, em cerca de um mês, evitou a entrega de drogas, negociadas nas ligações. Os detentos combinavam peso, valor e local da entrega. Três delas acabaram em prisões dos envolvidos.Numa das ligações, o preso fez o pedido de cinco pizzas. "Dois atum (sic), uma portuguesa, uma calabresa e uma frango catupiry", pediu o preso, ainda especificando se queria com ou sem cebola. Para completar, disse que bastaria entregar ao carcereiro e indicar que a encomenda era para o X-1 (xadrez um).Na Cadeia de Vila Branca, onde a entrega ocorreria, já houve um incidente no final de janeiro, quando dois barris de chope foram encontrados. Os dois carcereiros - Márcio José Brasileiro e Joel Martins - que facilitaram a entrada dos barris no presídio, num final de semana, foram afastados, transferidos em março para a Cadeia de São Carlos. Eles ainda respondem uma sindicânciainterna e podem ser demitidos. O delegado seccional de Ribeirão Preto, José Manuel de Oliveira, disse que aguarda a polícia de Franca entregar a degravação. Porém, se carcereiros ou policiais estiverem envolvidos, avisou que seriam afastados imediatamente e uma sindicândia seria aberta para apurar o caso. A central telefônica desativada na semana passada é a terceira descoberta neste ano em RibeirãoPreto. Uma foi descoberta em fevereiro e a outra em março. Todas estavam em casas de bairros de classe baixa.

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