Presos policiais acusados de matança em Salvador

Polícia Civil aponta o envolvimento das vítimas e matadores com o tráfico de drogas

Alvaro Figueiredo, do Estadão,

22 Setembro 2007 | 14h59

Dois policiais militares suspeitos de terem executado três pessoas em julho último, no bairro do Uruguai, na Cidade Baixa, em Salvador, estão detidos no Batalhão de Choque da Polícia Militar da cidade.   Os PMs Marco Antônio da Silva Lima, o "Marquinhos", e Ênio Santos de Queirós são acusados por quatro testemunhas, duas delas vítimas que escaparam com vida, mesmo baleadas. Moradores do bairro, e a Polícia Civil, apontam o envolvimento das vítimas e matadores com o tráfico de drogas, que cresce na periferia pobre da cidade.   Desde o início do ano, cresceu em quase 40% os crimes de morte em Salvador, e a polícia não consegue elucidar nem 15% destes homicídios, segundo estatísticas da própria polícia.   Os PMs foram presos por policiais civis do Grupo Especial de Repressão a Crimes de Extermínio (Gerce), e estão sendo investigados pela possível participação em um grupo de extermínio, que teria praticado outras chacinas ocorridas este ano no Bairro da Paz, onde morreram cinco pessoas no último dia 18, e outros três em agosto, um mês antes.   No Calabetão, três membros de uma mesma família foram executados dentro de casa. Os indícios apontam, de acordo com a Gerce, para o acerto de contas do tráfico. "O comércio e o consumo de drogas está tomando conta dos bairros, e a polícia não tem estrutura pra dar segurança a estes locais onde até o acesso é difícil", disse um policial da Gerce.   A delegada Andréa Gonçalves, que coordena o grupo, está à procura de dois outros PMs foragidos, Reinaldo Nepomuceno de Santana, conhecido como Bal, e Edvando Santos, apelidado de "Vando".   Delegados que preferem o sigilo afirmam que o crime organizado é a mais grave preocupação da polícia, que teme agora a chegada das milícias aos bairros pobres da cidade, em meio a uma crise de comando, que pode estar comprometendo a segurança.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.