Presos proíbem PCC de exibir armas

Os presos da Casa de Detenção decidiram nesta sexta-feira proibir colegas, principalmente integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), de andar no presídio com armas brancas na cintura. Em reuniões feitas nesta sexta-feira, eles discutiram a mais recente crise na Detenção, ocorrida na quinta-feira, quando funcionários abandonaram pavilhões por cerca de seis horas, alegando falta de segurança. Nos últimos dias era comum ver presos, especialmente do PCC, com facas, espetos e estiletes na cintura, nos Pavilhões 7, 8 e 9. "Eles queriam mostrar que tinham tomado a cadeia", revela um agente penitenciário, que pediu para não ser identificado, referindo-se aos presidiários.A iniciativa teve efeito contrário. Com medo de que, com a Detenção abandonada pelos funcionários, a Tropa de Choque fosse chamada, presos mais antigos e líderes de pavilhões formaram uma comissão e, por volta das 14 horas da quinta-feira, procuraram a diretoria do presídio. "Eles foram pedir para que os funcionários voltassem e afirmaram que o problema não voltaria a se repetir", diz outro agente. Nos debates, também foi decidido que qualquer detento que desobedeça a "lei" será cobrado pelos demais. No fim de mais uma crise, 21 presos foram transferidos. O governo diz que as remoções são normais, mas há boatos na cadeia de vários presos jurados de morte.Nesta sexta-feira, o detento Marcos Santos, do Pavilhão 9, foi indiciado por tentativa de homicídio após ter agredido o colega Alexandre Martins. Para os funcionários, tratou-se de um "caso de rotina". O governo admitiu neste sábado que transferiu, na sexta-feira, 60 integrantes do PCC da Penitenciária do Estado para o interior. Há informações extra-oficiais de que o grupo seguiu para Presidente Venceslau. Entre os removidos está o detento conhecido como Gulu, um dos líderes do "partido do crime". Mais presos devem ser removidos nos próximos dias.FugaEntre 3h30 e 4 horas desta madrugada, 27 presos escaparam por um túnel que ligava o pátio do Distrito Policial de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, ao estacionamento da delegacia, localizado na Avenida Dona Anila, no centro. Até a manhã de hoje, sete fugitivos tinham sido recapturados. Por causa da superlotação do DP, que tem quatro celas para 157 presos, os homens estavam num pátio. Ao perceberem a fuga, policiais militares da companhia anexa ao distrito deram o alarme, obrigando vários presos que ainda estavam no túnel a voltar.

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