Presos rebelados libertam um dos dois reféns no MT

Os presos rebelados da Cadeia Pública de Santo Antônio do Leverger, a 35 quilômetros de Cuiabá, liberaram na noite desta quarta-feira um dos dois agentes carcerários que eram mantidos como reféns desde o início da rebelião, por volta das 9h30. Outro agente ainda permanece em poder dos amotinados. Os nomes não foram revelados.As negociações foram suspensas devem ser retomadas a partir das 5 horas desta quinta-feira. A Secretaria de Segurança Pública suspendeu o fornecimento de água, luz e o jantar dos cerca de 180 presos.Os corpos dos nove detentos mortos durante a rebelião por grupos de facções rivais que disputam o controle do tráfico de drogas na cadeia ainda permanecem no local. Dois veículos do Instituto Médico Legal (IML) permanecem na cadeia, no entanto, os cadáveres ainda não foram liberados, informou o capitão da Polícia Militar, Alexander Maia.Na fuga frustada em massa seguida de rebelião, o detento Valdinei Queiroz de Moraes foi baleado na perna direita por um policial. Em seguida, o preso foi levado para o Pronto-Socorro de Cuiabá para fazer curativos, mas já retornou à cadeia.No motim, os presos atearam foco no prédio e em colchões para protestar contra a superlotação, reivindicar revisão de penas e cobrar a transferência de detentos. Apesar do impasse entre os presos e a Comissão de Gerenciamento da Crise no Sistema Prisional do Mato Grosso, agora à noite o clima é tranquilo no local. O policiamento foi reforçado na parte externa da cadeia. Mais de 50 PMs e um helicóptero permanecem no local.O secretário de Segurança Pública do Estado, Benedito Corbelino, afirmou que nem todas as reivindicações dos presos devem ser atendidas. "Vamos negociar o que for possível", disse. Com capacidade para 60 presos, atualmente a cadeia abriga mais de 180 detentos. "Não só em Mato Grosso como em todo o País, o problema da superlotação é uma coisa inaceitável, mas nem por isso os presos devem se matar entre si", comentou o deputado da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, Gilney Viana (PT). "Os presos têm seus direitos, mas também devem ser seus deveres; nada justifica uma chacina dessa".

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