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Presos registram fuga no Pará e divulgam vídeo na internet

Imagens de celular mostram três detentos pulando muro e usando escada para deixar Centro de Recuperação de Altamira

Karina Pinto, Especial para o Estado

10 Maio 2016 | 12h03

ALTAMIRA - Um vídeo mostrando a fuga de três internos do Centro de Recuperação de Altamira, no Pará, ganhou as redes sociais durante a madrugada desta terça-feira, 10. As imagens mostram a ação de três presos que pulam um muro que separa as alas, passam por cima do telhado, atravessam correndo o pátio, pegam uma escada que estava no chão e conseguem deixar o presídio. Tudo foi gravado com um celular, que, nas imagens, parece estar com um interno.

O pátio em que a ação aconteceu fica na parte leste da unidade, onde os apenados do semiaberto passam o dia. O que mais impressiona nas imagens é a liberdade com que os três agem, já que na hora da fuga não há nenhum agente prisional no local.

Outro ponto que chama bastante atenção é a escada no chão, que acaba sendo utilizada para facilitar a ação criminosa e, por fim, o vídeo, que tudo indica ter sido feito por um presidiário, o que confirma a presença de celulares ativos dentro do presídio e nas mãos dos internos.

O vídeo revela a situação do sistema prisional do Estado do Pará. Em menos de cinco meses, o centro de recuperação de Altamira acumula mais de dez fugas; o assassinato de um interno; um segundo espancado que por pouco não morreu; um terceiro teria cometido suicídio; e pelo menos três incidentes que foram controlados pela polícia, evitando fugas em massa.

Os números assustam a população que vive nas proximidades da unidade prisional.

O centro está superlotado. Com capacidade para 192 detentos, abriga mais de 300. A situação já foi denunciada ao Ministério Público Estadual por familiares de internos e pelos próprios presos, que escreveram cartas reclamando da falta de condições no local.

Um representante do MP esteve na unidade em março deste ano e prometeu discutir o caso junto à Secretaria de Segurança Pública do Estado, mas, até agora, nenhuma medida foi tomada no sentido de por um fim à crise no sistema.

Em nota, a Superintendência do Sistema Prisional informou que o vídeo ainda não é de conhecimento das autoridades.

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