Presos são acorrentados por falta de espaço em delegacia em SC

Detentos não reclamam, pois condições em cela é precária, com 17 homens vivendo numa área para apenas 4

Rafael Carvalho, especial para O Estado de S. Paulo,

03 de dezembro de 2007 | 17h17

A falta de vagas na delegacia do município de Palhoça, em Santa Catarina, obrigou a delegada Andrea Rodrigues a amarrar alguns presos com correntes e cadeados nas vigas da varanda do prédio. A responsabilidade, segundo a própria delegada, é do governo estadual. "Dois presos fugiram porque os cadeados eram frágeis demais. Não temos mais vagas e a culpa de toda essa situação é da secretaria de segurança pública de Santa Catarina", informa.     Hermínio Nunes/AG RBS   Entre os que passaram o dia amarrados às pilastras, estavam um traficante preso com cinco pedras de crack, um motorista enquadrado na Lei Maria da Penha por tentar bater na família inteira e outro preso por furtar chocolates. Este último era velho conhecido dos policiais. Havia escapado de um dos pilares da delegacia no último sábado, no mesmo dia em que foi preso, também por furto.   Ele havia sido preso com uma corrente e um cadeado emprestado por um dos policiais. O outro preso que fugiu ainda não foi recapturado. No final da tarde, um encarcerado chegaria do hospital e a delegada já escolhia onde iria colocá-lo: "A hora que o preso chegar do hospital teremos que escolher uma coluna para ele, porque todas já estão ocupadas. Se hoje não abrir vagas em quantidade suficiente vamos precisar de novas vigas na delegacia", ponderou a delegada.   Além da superlotação, que obriga a Dra. Rodrigues a prender as pessoas desta forma, existem ainda outros problemas na delegacia. "Temos presos doentes, com crise de abstinência, e este é um local inadequado para eles estarem, mas nenhuma vaga é aberta no sistema carcerário.   As condições de higiene das celas da delegacia também estão longe de serem as ideais. " Agora nem tanto, mas antes estava insuportável. Havia litros e litros de urina pelo chão. A cela não tem banheiro e dispor de policiais para tirá-los de lá de dez em dez minutos fica inviável", dispara.   Um dos plantonistas da delegacia será processado pelo Ministério Público por tentativa de assassinato. Ele atirou no pé de um dos detentos que conseguiu se livrar das correntes e correr alguns metros. O secretário de segurança do estado de Santa Catarina, Ronaldo Benedet, não foi encontrado para comentar a situação.   Matéria ampliada às 19h29

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