Roberto Custodio/JORNAL DE LONDRINA
Roberto Custodio/JORNAL DE LONDRINA

Presos são arremessados de presídio durante rebelião em Londrina

Um deles ficou pendurado de cabeça para baixo por uma corda, mas sobreviveu. Onze pessoas são mantidas reféns, entre elas um ex-PM preso em 2014 por tráfico de drogas

Danilo Marconi, Especial para O Estado

07 Outubro 2015 | 09h56

LONDRINA - A noite foi tensa na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL II), no norte do Paraná, onde presos se rebelam na manhã desta terça-feira, 6. Três detentos foram arremessados do telhado do prédio. Um deles ficou pendurado de cabeça para baixo por uma corda. Segundo o Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate), cinco pessoas precisaram de atendimento médico, mas nenhuma morreu.

Os presos ocupam o presídio desde às 11h de segunda, 6. Um grupo, que ocupava a Galeria 21, onde estão pessoas ligadas à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), tentou render agentes penitenciários que conduziam um preso de volta para a ala. Eles cobram fornecimento de comida de qualidade, melhor estrutura da unidade, mais dias de visitas e a transferência do diretor da PEL II, Emerson Chagas. Uma faixa estendida no telhado do prédio também traz a frase: "Fim do trânsito em julgado".

Ao longo desta terça, presos atearam fogo em colchões e destruíram várias alas da penitenciária, até mesmo o setor administrativo. Onze pessoas são mantidas reféns, entre elas um ex-policial militar preso desde o ano passado por tráfico de drogas. Pedro Serapião foi um dos principais alvos durante a rebelião. Ele chegou a ser amarrado e foi torturado com choques e golpes de estoque.

Um dos momentos de maior tensão durante a madrugada foi quando presos cavaram túnel e tentaram fugir da penitenciária, mas a ação foi frustrada por policiais que cercam o local. A polícia faz um cordão de isolamento no complexo penitenciário. Parentes que acompanham tudo a distância iniciaram um tumulto, mas não há registro de pessoas feridas.

O coordenador do Departamento Penitenciário do Estado (Depen), Luiz Cartaxo, está em Londrina para intermediar negociação com os presos. Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) também estão na cidade, mas até o momento a polícia não tem ordens para invadir a penitenciária.

Os presos pediram a presença de advogados próprios. Representantes da Ordem dos Advogados (OAB), Pastoral Carcerária e Centro de Direitos Humanos (CDH) acompanham tudo de perto. As negociações foram retomadas pela manhã.

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