Presos são recebidos com gritos de ''ladrão'' e jingle de campanha

Manifestantes se aglomeraram na entrada do aeroporto; acusados foram transferidos para Brasília

Alcinéa Cavalcante, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2010 | 00h00

A pacata cidade de Macapá acordou ontem com o barulho de sirenes e a informação de que a Polícia Federal estava prendendo as maiores autoridades do Estado do Amapá, inclusive o governador Pedro Paulo Dias (PP). A Operação Mãos Limpas durante todo o dia cumpriu 87 mandados de condução coercitiva e 94 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça.

Os mandados foram cumpridos em órgãos públicos, como Tribunal de Contas do Estado, Prefeitura de Macapá, Assembleia Legislativa, secretarias de Estado da Saúde, da Educação, Segurança, Inclusão Social e de Desporto e Lazer. Todas foram lacradas pela PF e os funcionários mandados de volta pra casa, enquanto os policiais recolhiam documentos e computadores. Além de documentos, a polícia apreendeu armas, carros de luxo e R$ 1 milhão.

O presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Amanajás (PSDB), candidato a governador, prestou depoimento e foi liberado. O mesmo aconteceu com o prefeito de Macapá, Roberto Góes (PDT), primo do ex-governador Waldez Góes (PDT), um dos presos.

Transferência. Os detidos foram conduzidos de ônibus do quartel do Exército para o aeroporto, por volta das 17 horas. O povo aglomerou-se na entrada do aeroporto.

De um lado, pessoas recebiam o ônibus aos gritos de "ladrão", "corrupto", "cadeia neles". De outro, militantes do PP, com bandeiras, protestavam contra a prisão do governador Pedro Paulo Dias (PP) e cantavam o jingle de sua campanha. O candidato a vice-governador, Alberto Góes, disse que "agora que a campanha vai ficar boa".

Os presos na Operação Mãos Limpas embarcaram para Brasília por volta das 18h30, com previsão de chegada às 21 horas. O governador, por ter foro privilegiado, ficará em cela especial na Polícia Federal. O mesmo acontecerá com o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, José Júlio Miranda. Os demais presos ficarão em celas comuns em presídio de Brasília.

Interino. O presidente do Tribunal de Justiça do Amapá (TJ-AP), desembargador Dôglas Evangelista Ramos, assumiu na manhã de ontem o governo do Estado do Amapá.

Com a prisão do governador Pedro Paulo, o terceiro na linha sucessória seria o presidente da Assembleia Legislativa, mas ele está impedido de assumir o cargo porque concorre ao governo do Estado.

Dias havia assumido o governo no último mês de abril, quando Waldez Góes se licenciou para concorrer a uma vaga no Senado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.