Presos são transferidos para cadeia em reformas

Trinta e um presos que cumpriam penas ou aguardavam julgamento em Itapeva, Guapiara e Itararé, no sudoeste do Estado, foram transferidos para a Cadeia Pública de Capão Bonito, a 220 quilômetros de São Paulo. O prédio de Capão Bonito está interditado desde abril de 1999. Os detentos tiveram que esperar durante quase 10 horas, em salas da delegacia, pelo término de uma reforma de emergência para ocupar as celas. Ainda assim, faltam serviços de acabamento, como pintura, e duas celas estavam sem água. "O que foi feito, na verdade, foi um tapa-buracos", disse o delegado do município, Mariano Higino de Meira. Ele ficou surpreso com a chegada dos presos. "O prédio está em situação ainda pior do que quando foi interditado, pois nesse período houve infiltrações." A transferência foi determinada porque as cadeias dessas cidades estão lotadas. A de Itapeva também foi parcialmente destruída por uma rebelião, no mês passado, e teve parte das dependências interditada pela Justiça. "O excesso de presos representava risco para os policiais e funcionários", disse o delegado Aulo Fernandes. Ele foi requisitado para ocupar o cargo de diretor da cadeia de Capão Bonito até segunda-feira. Não havia número de carcereiros suficiente. "Estamos reforçando a guarda e torcendo para que não tentem uma fuga", disse. A chegada dos presos causou revolta entre os moradores vizinhos. A cadeia fica na área urbana, na Vila São Judas. A pedido dos moradores, a prefeitura mandou um perito examinar o prédio. O laudo, assinado pelo perito Eduardo Canepa, considerou que as instalações não tinham condições de abrigar detentos. No fim da tarde, os moradores encaminharam o documento à juíza corregedora, Tânia Magalhães Moreira da Silveira, pedindo a retirada dos presos. A juíza deve anunciar uma decisão amanhã. Há dois anos, após a rebelião, a reforma da cadeia tinha sido orçada em R$ 65 mil, mas as obras não foram feitas.

Agencia Estado,

17 de agosto de 2001 | 16h55

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