Presos suspeitos de atentados contra administração penitenciária

O titular da Delegacia Seccional do Centro de São Paulo, Jorge Carlos Carrasco, apresentou hoje à tarde três homens acusados de participar do primeiro atentado à bomba contra a sede da Secretaria da Administração Penitenciária, no centro, ocorrido na quarta-feira. Ricardo Félix de Carvalho, o Boca, de 20 anos, e João Carlos Alves da Silva, o João Belo, de 27, foram presos na madrugada na Favela da Caixa-D?Água, em Cangaíba, zona leste. Eles confessaram a participação na ação e tiveram a prisão temporária decretada. O terceiro homem, Erizanor Leite de Melo, de 39 anos, foi preso em flagrante no mesmo dia do atentado, quando a polícia localizou o Santana preto usado na ação - ele comprou o veículo no ano passado -, mas somente hoje foi apresentado.De acordo com o delegado Carrasco, o atentado tem ligação com Jair Faca Junior, preso no Cadeião de Pinheiros. Teria partido dele a ordem para que outro detento, Edson Rodrigues da Silva, de 21 anos, alistasse quem poderia realizar a ação. Edson, o Sor, teria pedido ao irmão E. B.S., de 17 anos, - que está foragido, provavelmente no Rio - que chamou Boca e Leite.João Belo, o terceiro detido, teria apenas guiado o grupo, que não sabia como chegar ao centro da cidade. Ele negou que houvesse explosivos no carro. "Não vi nada, só deixei os dois lá e fui embora de ônibus", disse. Todos negam conhecer ou participar do PCC. No interrogatório, no entanto, Carrasco afirmou que os comparsas confirmaram a ação.LigaçõesO delegado investiga ainda a ligação do crime com o segundo atentado à Secretaria, na noite de ontem, e ao ônibus que transportava agentes penitenciários e foi metralhado em São Vicente, no dia 29. Leite, dono do carro, foi preso com um revólver calibre 12 e uma pistola 380. "Mandamos para o Instituto de Criminalística verificar se essas armas foram usadas no atentado de São Vicente", afirmou o delegado. "Na noite em que transferi o Edson do Cadeião de Pinheiros, houve o segundo atentado, uma espécie de resposta à transferência, com uma bomba que não era letal e não tinha intenção de matar", afirmou o delegado. "Mas não vamos nos intimidar.""Nada vai ficar impune. Se houver outros atentados, serão esclarecidos", afirmou Carrasco. A ligação com o PCC também está sendo investigada pela polícia. Os três detidos seriam uma espécie de "soldados" da facção criminosa. A polícia apura se outro envolvido, provavelmente o mentor da ação, está detido no Carandiru. Teria partido de lá a ordem para o atentado. Todos os detidos já foram presos por diversos crimes.O presidente do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional, Nilson de Oliveira, afirmou hoje que dois funcionários da portaria da sede foram avisados sobre o primeiro atentado à bomba, um dia após o atentado contra um ônibus que transportava agentes penitenciários, em São Vicente, deixando um funcionário morto e cinco feridos. A revelação reforçou as suspeitas de relação entre os dois crimes e o último atentado, na noite de ontem.PCCNa próxima segunda-feira, dia 18, completa-se um ano da rebelião em série promovida pelo PCC no Estado. Os líderes da facção criminosa tomaram cerca de 5 mil reféns em São Paulo, entre funcionários do Complexo do Carandiru e parentes dos presos, incluindo crianças, em dia de visita.

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