Presos viviam pior do que macacos no zôo, diz juiz

Os 289 presos que ocupavam até esta sexta-feira a delegacia do centro de Niterói, no Grande Rio, viviam em condições piores do que os macacos do zoológico da cidade.A afirmativa é do juiz Cesar Cury, da 3ª Vara Criminal do município, que atendeu pedido do Ministério Público e determinou a interdição da carceragem ? cuja capacidade máxima é de 150 pessoas.Rio 50 grausEm sua inspeção, o juiz verificou que a temperatura no local era de 50 graus centígrados. Nesta sexta, 70 presos que já tinham sido condenados pela Justiça foram levados para o presídio de Água Santa, na zona norte do Rio.Os demais, que ainda aguardam julgamento, serão removidos conforme forem abertas vagas nas unidades do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe), informou a Secretaria de Estado de Segurança Pública.DegradaçãoDe acordo com o magistrado, cada preso dispunha de apenas 50 centímetros dentro da cela (são 20 por cela), enquanto os macacos do zôo têm cinco vezes mais espaço nas gaiolas.?Os primatas encontram-se em condições ideais de habitação restrita, gozando de todo o necessário, e mesmo de privilégios, que são recorrente e ostensivamente negados aos presos que ocupam a carceragem inspecionada, paradoxo que nos faz refletir sobre a antiga película do ?Planeta dos Macacos??, escreveu.Cury disse ainda em seu texto que constatou ?in loco, as degradantes, humilhantes, revoltantes condições em que os detentos são mantidos?.ImundícieE mais: ?Os espaços destinados ao despejo de dejetos e excrementos e ao escoamento da água são cobertos à noite por colchonetes, já que inexiste espaço suficiente para que os presos possam dormir. (...) Presos doentes, inclusive com doenças sexualmente transmissíveis e aids, são mantidos em celas coletivas junto com detentos sãos. Há promiscuidade e violência de toda ordem.?De acordo com o promotor Marcelo Lima Buhaten, que instaurou inquérito civil para apurar a superlotação da delegacia, o calor no local é insuportável.Nesta sexta, durante visita de Buhaten, enquanto fora da carceragem os termômetros registravam 38 graus, dentro das celas a temperatura era de 49 graus. ?Os presos são tratados de forma desumana, e o MP não aceita isso?, disse o promotor.CompromissoNo mês passado, o procurador-geral do Estado, José Muiñoz Piñero, e o governador Anthony Garotinho assinaram um termo de ajustamento de conduta, em que o Estado se comprometeu a melhorar as condições de vida no sistema carcerário fluminense.Pelo termo, terão se ser abertas três mil novas vagas para presos até julho de 2002. ?É muito tempo. A situação da delegacia de Niterói era muito complicada, e os presos não podiam esperar tanto?, afirmou Buhaten.

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