Pressa para puxar barco pode ter causado naufrágio em Manaus

Barco teve que ser puxado após apresentar falhas; duas pessoas morreram e 185 estavam a bordo

Liège Albuquerque, O Estado de S. Paulo,

22 Julho 2009 | 09h57

A pressa para puxar o barco para a margem do Rio Negro pode ter sido a causa do naufrágio que provocou a morte de duas pessoas na terça-feira, 21, em Manaus. Após sair do porto de Manaus, o barco parou por causa de falhas e teve que ser puxado. "Um estaleiro puxava o barco quando tombou. Não esperávamos vítimas porque estava próximo da margem, mas, infelizmente, encontramos dois corpos", afirmou o comandante da Capitania, Paulo Brito.

 

 

 

 

 

Os corpos de uma menina entre 8 e 10 anos e de uma mulher aparentando 50 foram encontrados no fim da tarde presos dentro do barco Karolina do Norte, que naufragou por volta das 13h30 na margem direita do Rio Negro, que banha Manaus. O barco tinha 185 passageiros e, segundo a Capitania dos Portos, foi instaurado inquérito para apurar as causas do acidente e possíveis responsáveis, mas preliminarmente não foram constatadas irregularidades na embarcação.

 

De acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros no Amazonas, coronel Antônio Dias dos Santos, ainda na terça seriam feitas tentativas de içar o barco para a margem. "Se não conseguirmos, vamos retomar os trabalhos amanhã (esta terça) cedo e homens nossos ficarão de vigília para evitar que os pertences dos passageiros sejam furtados durante a noite", disse.

 

Segundo a assessoria do Corpo de Bombeiros, 20 oficiais dos bombeiros e da Marinha trabalham nas buscas. A assessoria informou que a embarcação tinha partido cerca de 20 minutos antes de parar, provavelmente por causa da quebra do leme. O barco ia para Santarém, no Pará, e faz a mesma viagem duas vezes por mês.

 

A maior parte dos passageiros foi salva por pessoas que estavam próximas ao porto. "Vi quando o barco virou, numa velocidade impressionante. Eram gritos de socorro, gente mais ágil pulando longe e nadando", contou o feirante Luis Eduardo Melo de Souza, de 36 anos, que trabalha na frente do local do acidente.

 

"Sei nadar, então pulei e consegui salvar um homem e uma senhora." Segundo o feirante Benedito José Peres, de 62 anos, o barulho feito pelo barco ao virar não foi tão grande quanto os gritos das pessoas que estavam dentro. "Forma um buraco enorme que demora a desaparecer quando o barco vai virando. E o buraco vai tragando as pessoas, é terrível."

 

Acidentes

 

Em abril deste ano, o barco Dona Zilda naufragou aparentemente depois de bater em um barranco no Rio Amazonas, próximo a Itacoatiara, a 170 km de Manaus. Só cinco dos seis corpos desaparecidos foram localizados no fundo do rio, até uma semana depois do naufrágio.

 

No ano passado, ocorreram sete naufrágios nos rios do Amazonas, matando 78 pessoas. O mais grave aconteceu em maio de 2008, quando o barco Comandante Sales afundou próximo a Manacapuru, a 84 km da capital, matando 48. Em maio, o comandante do barco foi absolvido por um júri popular.

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