Pressão do PT reflete o temor do efeito Marina no 2º turno

O comando do PT considera a retirada de Ciro Gomes (PSB-CE) da sucessão presidencial medida necessária para reduzir as chances de um segundo turno. O maior temor no PT é que, caso a disputa entre José Serra e Dilma Rousseff não seja liquidada em 3 de outubro, o partido e a candidata sejam surpreendidos por uma aliança entre o tucano e a senadora Marina Silva, pré-candidata do PV à Presidência.

Bastidores: Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2010 | 00h00

A permanência de Ciro na disputa, na visão dos petistas, automaticamente levaria o embate ao segundo turno, cenário que os coordenadores da pré-campanha de Dilma querem evitar.

Na última pesquisa Ibope, por exemplo, feita entre os dias 13 e 16 deste mês, Ciro e Marina teriam 8% das intenções de voto cada. Com ambos na disputa presidencial, Serra teria 36% dos votos e Dilma 29%, sendo alta a probabilidade de segundo turno.

Apesar dos laços de Marina com o PT no passado - ela foi ministra do Meio Ambiente de Lula e só se filiou ao PV em agosto de 2009 -, a avaliação de dirigentes petistas é que há um grau de ligação entre os verdes e os tucanos em palanques regionais, como o construído no Rio de Janeiro, que a aproximaria de Serra. Há ainda petistas mais radicais que consideram existir, desde já, um acerto para que Marina, ao longo da campanha, auxilie o campo do PSDB.

Até o momento, a candidata dos verdes tenta manter-se entre Dilma e Serra, alternando elogios às gestões de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Resta saber se seguirá em cima do muro.

A ordem na coordenação de campanha de Dilma é apostar numa disputa que se encerrará no primeiro turno. Para o PT, o eventual apoio de Marina ao tucano minaria as chances de Dilma pela proximidade da senadora com a esquerda e movimentos populares e, sobretudo, pelo discurso ambientalista que agrada aos jovens.

Um dos próximos passos da coordenação de campanha de Dilma será formar um grupo de prefeitos responsável pela montagem de viagens, palanques suprapartidários, propostas regionais e agendas da pré-candidata.

A ideia é que as lideranças regionais municiem Dilma com informações detalhadas sobre a política local que a ajudem a construir o discurso apropriado, evitando tropeços. O núcleo de campanha traçou três metas emergenciais: tirar o tom professoral; popularizá-la; e moldar uma retórica que a aproxime das mulheres.

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