Prefeitura de Curitiba
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Pressionado, comandante da PM do Paraná deixa o cargo

Coronel Cesar Kogut pediu demissão; ele alegou 'dificuldades intransponíveis com a Secretaria de Estado da Segurança'

Julio Cesar Lima, Especial para O Estado

07 Maio 2015 | 19h01

Atualizada às 20h52

CURITIBA  - Dois dias após enviar carta ao governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), criticando o secretário de Segurança, Fernando Francischini, por não assumir responsabilidades em relação ao confronto que deixou 234 feridos na semana passada, o comandante da PM, Cesar Kogut, pediu demissão. O chefe do Estado-Maior da Polícia Militar, Carlos Alberto Bührer, ocupará o cargo interinamente. 

Kogut alegou “dificuldades intransponíveis com a Secretaria de Estado da Segurança”, cujo secretário, Francischini, continua no cargo, apesar de fortes pressões contrárias. Segundo integrantes da corporação militar, o coronel já teria demonstrado sua vontade de entregar o cargo após Francischini dizer à imprensa que seria só o gestor da pasta e “a responsabilidade das operações de campo seria da Polícia Militar”.

“O senhor secretário de Segurança Pública foi alertado inúmeras vezes pelo comando da Tropa empregada e pelo comandante-geral sobre os possíveis desdobramentos durante a ação e que, mesmo sendo utilizadas as técnicas internacionalmente reconhecidas como as indicadas para a situação, pessoas poderiam sofrer ferimentos, como realmente ocorreu, tendo sido vítimas manifestantes e policiais militares empregados na operação...”, disse Kogut, em trecho de carta enviada a Richa.

Além disso, o comandante da PM ressaltou que houve abertura de inquérito para “apurar os possíveis excessos”. Kogut ainda aponta Francischini como participante de todas as ações. “Não se pode admitir que seja atribuída à corporação a pecha de irresponsável ou leviana, por não ter sido realizado planejamento, ou mesmo que tenha sido negligente (...), pois todas as ações foram tomadas seguindo o Plano de Operações elaborado, o qual foi aprovado pelo escalão superior da Sesp (Secretaria de Segurança e Administração Penitenciária), tendo inclusive o Senhor Secretário participado de diversas fases do planejamento.”

Kogut ressalta que todas as ações tiveram aval do governo. “No desenrolar dos fatos, o senhor secretário era informado dos desdobramentos.”

Explicações. Assim como Francischini e o governador Beto Richa, Kogut ainda pode vir a dar explicações ao Ministério Público do Paraná sobre os incidentes. Eles foram alertados pelo MP sobre os perigos de um confronto por meio de um documento com recomendações, que já haviam sido discutidas anteriormente. Entre elas estava a “garantia ao direito de manifestações públicas nos arredores da Assembleia”. Caso houvesse algum tipo de distúrbio, havia a recomendação de que a “atuação deveria incindir tão somente em relação ao indivíduo que estiver cometendo o ilícito”.

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