Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Pressionado por protestos, Cabral reconhece que faltou diálogo

Alvo de manifestações quase diárias, governador está mal avaliado nas pesquisas e diz que não teve plena 'capacidade de compreensão' dos movimentos

O Estado de S. Paulo

01 de agosto de 2013 | 11h05

RIO - Pressionado por protestos quase diários na porta de sua casa e do Palácio Guanabara, sede oficial do governo, e mal avaliado nas pesquisas, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), reconheceu nesta quinta-feira, 1, que errou ao dialogar pouco com aliados e a sociedade.

"Evidente que houve esse movimento nacional (protestos) que desgastou todos os governantes. As instituições ficaram debilitadas e questionadas. Mas no Rio eu cometi erros de diálogo, que sempre foi minha marca", disse o governador. "Fui presidente da Alerj oito anos. Galeria cheia, com aplausos e vaias, eu tive a vida inteira. Quantas vezes eu ia para comícios com grupos me vaiando, tentando me atacar. Quando eu fiz a primeira licitação de vans intermunicipais, havia grupos que me cercavam e ameaçavam fisicamente. Da minha parte faltou mais diálogo e capacidade de compreensão; não sou uma pessoa soberba. Ao contrário, sempre fui determinado ao diálogo. Democracia é um bem intangível imaterial e inquestionável que o Brasil alcançou. E temos que preservá-la", completou Cabral, em entrevista à Rádio CBN.

Helicópteros. Cabral negou ter exagerado no uso helicópteros da frota oficial do Estado, e disse que vai criar um protocolo de utilização das aeronaves. Reportagem da revista "Veja" revelou que o governador usava diariamente helicópteros oficiais para ir de casa para o trabalho, num percurso de menos de dez quilômetros. E que também usa helicópteros oficiais para transportar sua família e o cachorro da família para sua casa de praia, em Mangaratiba, no litoral sul do Estado, aos fins de semana.

"Não havia nenhum protocolo de uso. Aqui no Rio fizemos uma pesquisa para verificar onde havia regras do uso de helicópteros. Encontramos uma regulação, se não me engano de 2005, em Minas Gerais. Uma do Pará, de 2011. E do governo federal, que se refere mais a aviões, de 1999. Eu jamais exagerei e sempre fui pautado pela orientação do gabinete militar. Mas as manifestações, o que aconteceu de mais evidente, foi o desejo genuíno e bonito de aperfeiçoamento do processo democrático. Essa questão faz parte desse novo momento. O helicóptero não é do Sérgio Cabral, é do governo do Estado. Quando tem protocolo, passa a ter regras. E fica tudo mais fácil. É um avanço para o futuro do Rio".

Caso Amarildo. Cabral voltou a prometer que a polícia vai esclarecer o sumiço do pedreiro Amarildo, desaparecido desde 14 de julho após ter sido levado por PMs de sua casa à sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Favela da Rocinha, para "averiguação".

"Somos os primeiros a querer saber onde está o Amarildo. Em comunidades com UPP, os índices de criminalidade caíram barbaramente. Não tem situações como a do Amarildo como tinha no passado. Queremos descobrir onde está o Amarildo, o que fizeram com ele, e quem fez. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, está envolvido pessoalmente. Não posso estabelecer prazo, mas você pode estar certo que nós temos todo o compromisso de esclarecer o que foi feito, onde está Amarildo, e pegar os responsáveis".

Maracanã. O governador também negou que haja suspeitas de superfaturamento na reforma do Maracanã. Disse ainda que a concessão não resultará na "elitização" do estádio, já que os preços dos ingressos são definidos pelos clubes, "como sempre foi".

"Não há nenhuma suspeita de superfaturamento. Os tribunais de contas acompanharam e acompanham as contas. Foi uma reforma que talvez tenha sido a maior de um equipamento no mundo pelo volume de concreto e pelo que foi modificado".

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