Previdência sem reforma neutraliza mínimo ''austero''

BRASÍLIA

Lu Aiko Otta e Edna Simão, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2011 | 00h00

Para preservar a capacidade de investimento do governo, a presidente Dilma Rousseff vai cobrar de seus ministros redução de gastos e já trabalha com reajuste do salário mínimo para R$ 545 - R$ 5 a mais que os R$ 540 propostos pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, a decisão de não promover a reforma previdenciária poderá ser um tiro no pé.

Apesar da melhora no quadro econômico, o sistema de aposentadorias e pensões segue deficitário e, para compensar, há três alternativas: elevar a carga tributária, reduzir os gastos do governo ou diminuir o superávit primário. A saída costuma ser cortar despesas, incluindo investimentos.

"Por mais que a receita da Previdência tenha crescido nos últimos anos, há um déficit elevado", disse o consultor Raul Velloso. Em 2010, esse valor deve chegar a cerca de R$ 45 bilhões.

Para o economista Fábio Giambiagi, Dilma tem chances de chegar ao fim do mandato sem piora significativa nas contas da Previdência. Para isso, porém, teria de adotar uma política de reajustes do mínimo mais restritiva - cerca de 40% das despesas previdenciárias são corrigidas pelo piso salarial.

A julgar pelas reações ao eventual aumento do mínimo para R$ 545, não seria tarefa fácil. Ontem, parlamentares criticaram o novo valor e prometem aprovar aumento maior no Congresso.

"Esses R$ 5 a mais não dão para tomar duas cachaças", reclamou o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical. "Pode ser que não consigamos os R$ 580, mas também não vai ser aprovado os R$ 545", desafiou.

Além da proposta do sindicalista, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) defendeu reajuste para R$ 560 e a oposição promete defender os R$ 600 propostos pelo tucano José Serra na campanha eleitoral. Por isso, o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP), já antevê dificuldades. "Vamos ter de unificar o diálogo com as bancadas que dão sustentação ao governo e com as centrais sindicais."

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