PRF prende 37 por roubo de veículos de carga

Bandidos falsificavam documentos para aplicar golpe em seguradoras

Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

14 Fevereiro 2009 | 00h00

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) desbaratou ontem uma quadrilha de roubo de veículos de carga que atuava em seis Estados. Aproximadamente 300 agentes participaram da Operação Siga Bem - realizada em conjunto com a Polícia Civil e o Ministério Público de Goiás -, que resultou no cumprimento de 61 mandados de busca e apreensão e na prisão de 37 pessoas, entre assaltantes, empresários e despachantes. Outras três estão foragidas. A quadrilha existia havia pelo menos dez anos e movimentava aproximadamente R$ 2,5 milhões por mês. O grupo atuava em três frentes diferentes. Uma parte roubava os caminhões nos Estados de São Paulo, Goiás, Minas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia. Os veículos eram levados para Itumbiara (GO) e Uberlândia (MG), onde funcionavam os núcleos centrais da quadrilha. Em pequenas oficinas nessas cidades, os chassis eram adulterados e os veículos recebiam documentos falsos. Foram apreendidos 5 mil certificados de registros de veículos em branco. "Era um esquema muito grande. Em Itumbiara, os caminhões ficavam guardados em três barracões no depósito judicial do Fórum até receberem novos documentos, um lugar acima de qualquer suspeita", disse o promotor do Ministério Público de Goiás, Clayton Korb. Um dos presos é o funcionário do fórum que recebia propina para guardar os caminhões. Korb afirmou que há indícios da participação de policiais civis e funcionários do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de Minas. Quando os caminhões recebiam os documentos falsos, o esquema podia seguir dois caminhos diferentes. Em um deles, os veículos eram vendidos a uma transportadora por preços abaixo do mercado. A PRF afirmou que pelo menos dez dos presos são empresários acusados de receptação. Um advogado de Cuiabá também foi preso, acusado de comprar os caminhões para revender na Bolívia. A outra opção era financiar novamente os veículos em nome de "laranjas" e os bandidos contratavam empresas de seguro. Os próprios assaltantes roubavam novamente os caminhões para receber a indenização e o ciclo de adulteração e falsificação de documentos se reiniciava. "Somente um dos caminhões foi roubado três vezes", disse a delegada titular da 6ª Delegacia Regional de Polícia de Goiás, em Itumbiara, Lúcia Aparecida Silvestre. A delegada contou também que, após aplicar o golpe duas ou três vezes com o mesmo caminhão, a quadrilha mudava a forma de atuação para continuar lucrando. Os veículos eram levados para serem desmontados em ferros-velhos e as peças eram vendidas no Brasil e no exterior. "Depois de um tempo, havia o risco de as adulterações no chassi serem descobertas nas inspeções das seguradoras. Por isso, eles (os bandidos) se desfaziam dos caminhões, mas lucravam até o fim", disse Lúcia.

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