Prima diz que médica pode ter sido morta por engano

A prima da médica Suzana Maria Ribeiro de Sá Roriz, de 51 anos, assassinada no domingo, 24, na Gávea, na zona sul do Rio de Janeiro, Maria Auxiliadora Ribeiro, disse que uma testemunha teria ouvido quando os assassinos chamaram Suzana de "Vivi", antes de disparar sete tiros em sua cabeça. "Ela nunca teve esse apelido, acho que pode ter sido morta por engano, confundida com alguém que devia algo a traficantes, disse ela. Maria Auxiliadora reagiu com indignação ao saber que a polícia investiga se o dinheiro da venda do apartamento onde a vítima morava pode ter motivado o crime. "Depois de descontar as dívidas com o condomínio, sobraria muito pouco, ela não pagava IPTU nem condomínio há anos", afirmou. O apartamento, de três quartos, estava avaliado em R$ 300 mil. "Está sub-avaliado porque o imóvel está muito depreciado, quem entrar ali tem que fazer uma reforma antes", disse ela. O apartamento ainda está em inventário. Suzana, que era esquizofrênica, tinha dois irmãos, que já morreram. Ela e o caçula não tinham filhos. O mais velho, que também tinha um retardo mental, tem um menino, hoje com 21 anos, que mora na favela da Rocinha. O sobrinho de Suzana, segundo Auxiliadora, também teria problemas emocionais. Maria Auxiliadora foi convocada a prestar um novo depoimento na 15ª Delegacia de Polícia. O delegado-titular Luiz Alberto de Oliveira, que preside o inquérito, não foi encontrado. Ele conduz as investigações em sigilo e disse não descartar nenhuma das hipóteses. Apesar de formada em medicina, Suzana abandonara a profissão quando ainda se especializava em psiquiatria e recebeu diagnóstico de esquizofrenia. Segundo familiares, chegou a fazer estágio no Hospital Universitário Gaffré e Guinle, na Tijuca (zona norte), mas viveu a maior parte da vida dependendo de parentes. Com pais e irmãos já falecidos, ela recebia assistência das famílias de um tio e de uma prima, todos moradores da Gávea, mas vivia sozinha no apartamento que herdara. Nos fins de semana, costumava ter a companhia do único sobrinho.

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