Primeiro colocado na Unicamp foi 2º na Fuvest e 3º na Unesp

O primeiro colocado no vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Sergio Tadao Martins, ficou também em 2.º lugar na Fuvest (USP) e em 3.º na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Essa classificação leva em conta todos os candidatos que participaram dos vestibulares, sem diferenciação de cursos. Nos rankings separados de cada carreira, Sergio, que tem 18 anos e não fez cursinho, aparece na liderança das três universidades, com as notas mais altas.Apesar do excelente desempenho, ele rejeita o título de "crânio". Martins escolheu a Unicamp, onde vai cursar Ciências da Computação. "É o curso de melhor reputação na área que escolhi", observa. "Apaixonado" por matemáticaNa Universidade de São Paulo (USP), Sergio prestou vestibular para engenharia.Agora, o paulistano vai sair da casa dos pais, no bairro de São João Clímaco, e dividir um apartamento em Campinas com um amigo. "No começo, vai ser difícil ficar longe da família, mas não tem outro jeito."Sergio se diz um apaixonado por matemática e participa há quatro anos de olimpíadas que testam o conhecimento na área. Em 1999, ele ganhou a medalha de bronze numa olimpíada mundial de matemática, na Romênia, onde representou o Brasil.Terceira média nos últimos 5 anosAlém de ter a melhor nota entre os 45 mil candidatos que disputaram o vestibular da Unicamp, sua média (82,27) foi a terceira maior nos últimos cinco anos. O curso escolhido por ele foi um dos mais concorridos da Unicamp este ano, com 39 candidatos por vaga.Na Fuvest, entre mais de 140 mil concorrentes, Sergio fez 907,2 pontos (num total de mil). Ficou apenas 0,9 ponto abaixo do primeiro colocado, Tiago Kenji Takahashi, que prestava vestibular para medicina.CríticasFilho de uma dona de casa nissei e de um brasileiro que trabalha numa fábrica de autopeças, Sergio sempre estudou em escolas particulares da capital paulista. "Sei que sou um privilegiado em relação à maior parte dos estudantes", diz. Embora discreto, ele não poupa críticas à atual política educacional. "Quando penso nisso, dá vontade de chorar." Ele acha que o governo não valoriza os professores.Sergio já havia participado do vestibular passado como treineiro, mas, segundo ele, o desempenho não foi muito bom. "Só consegui o segundo lugar", lamenta. Mesmo assim, a preparação para o último concurso não modificou sua rotina."Estudava pela manhã na escola e, à tarde, ficava em casa ou saía com amigos." Sem namoradaUm dos seus programas preferidos era jogar vôlei. No futebol, é torcedor do São Paulo.Além de dedicar-se aos estudos, o novo aluno da Unicamp pretende passar boa parte do tempo ouvindo rock. Ele é fã da banda mineira Skank. "Mas não sou de badalar muito", avisa. Na literatura, prefere Machado de Assis e Eça de Queiroz. Tímido, Sergio diz que, atualmente, está sem namorada. "Quem sabe agora elas se interessam por mim", brinca.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.