Primeiro contato aconteceu no dia do seqüestro

O seqüestro de Patrícia Abravanel ocorreu no dia 21, última terça-feira, à 8h00, no momento em que ela, ainda na garagem de sua casa, no Morumbi, se preparava para ir à faculdade. Os dois seqüestradores, um deles vestido como carteiro, renderam o vigia e levaram a estudante de 24 anos no próprio carro, um Passat. Do lado de fora da casa, foi deixado um Corsa prata, que havia sido roubado alguns dias antes no mesmo bairro. Na garagem foi deixado um telefone celular pré-pago que seria usado para a comunicação com a família. No início da tarde do mesmo dia, os seqüestradores teriam feito o primeiro contato, para estabelecer regras e saber com quem iriam negociar o pagamento do resgate. No mesmo telefonema, teriam exigido que a família afastasse a polícia e a imprensa do caso. De próprio punho, Sílvio Santos redigiu a nota, distribuída a todos os órgãos de imprensa, com um apelo neste sentido.Segundo um policial civil, ao ser avisado do seqüestro da filha, Sílvio Santos telefonou para o secretário da Segurança Pública, Marco Vinicio Petrelluzi, e solicitado ajuda. O secretário acionou a Delegacia Anti-Seqüestro (Deas). O delegado Wagner Giudicce, titular da Deas, chegou à residência do proprietário do SBT pouco depois das 10 horas. Ouviu o segurança, os empregados e reuniu-se com Sílvio, a mulher Iris e as filhas. Investigadores da Deas passaram a monitorar os telefonemas. Os amigos de Silvio começaram a ligar querendo confirmar a notícia e foram aconselhados a deixar o telefone livre. No próprio dia do seqüestro, o presidente Fernando Henrique Cardoso ligou para o empresário Sílvio Santos. Segundo o porta-voz da Presidência, George Lamazire, "foi uma manifestação, basicamente, de solidariedade". Lamazire não soube informar se, durante a conversa, o presidente e o empresário falaram da necessidade de intervenção da polícia para solução do caso. Outros dois contatos foram feitos na quarta e quinta-feiras. Segundo Eduardo Vellucci, responsável por uma construtora de Sílvio Santos, a voz do seqüestrador que fez o último contato "era de um homem jovem que demonstrava muita firmeza e segurança, o que o levou a crer que se tratasse de profissionais que sabiam exatamente o que fazer". Um quarto contato havia sido agendado para o fim desta semana, o que, segundo Eduardo, aumentou a angústia da família.A Polícia Civil continuou investigando o seqüestro e também contou com a ajuda de homens da Polícia Federal (PF). De acordo com informações não confirmadas, a intervenção da PF teria ocorrido a pedido do próprio ministro da Justiça, José Gregori, após contato com o presidente Fernando Henrique Cardoso.Durante toda a semana em que durou o seqüestro, a família de Patrícia evitou falar sobre o caso. Neste período, a movimentação diante da casa do empresário foi grande, com a presença de jornalistas, curiosos, seguranças e um grande o entra-e-sai de pessoas na residência. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) chegou a isolar a entrada do imóvel com cavaletes e fitas de plástico. Seguranças controlavam por rádio o acesso de veículos.ImprensaO caso reacendeu a discussão sobre a postura da imprensa durante seqüestros. A Rede Globo decidiu levar ao ar toda a cobertura. A emissora se justificou dizendo que esta seria um forma de se evitar novos casos do tipo. Os jornais "O Estado de S.Paulo" e "Jornal da Tarde" e o portal "estadao.com.br" decidiram acatar o pedido de Silvio Santos. A Agência Estado distribuiu matérias e fotos sobre o assunto para que seus clientes pudessem acompanhar o andamento das investigações, mas a publicação ficou sob responsabilidade e a critério de cada veículo. A corregedora-geral da União, Anadyr de Mendonça Rodrigues, comentou a participação ou não da imprensa na cobertura de casos de seqüestro. "O País passa, hoje, por uma discussão sobre ética em vários setores. No caso de seqüestros, acho que a imprensa deve meditar sobre seu papel", afirmou. "É preciso ver até onde vai o interesse público, principalmente quando pode colocar em risco a vida de alguém."Já o presidente do STF, Marco Aurélio Mello, defendeu que a imprensa não divulgasse notícias sobre o seqüestro da filha do empresário. "Neste campo é proibido proibir, mas é preciso ter compreensão". Segundo ele, deixar a imprensa de fora é uma estratégia decidida pela família e pelas autoridades que acompanham o caso e, por isso, deve ser respeitada. ProgramasNo último domingo, os programas Tentação, Sorteio da Telesena e Show do Milhão, atrações normalmente gravadas e apresentadas pelo animador Silvio Santos, não foram exibidas pelo SBT - Sistema Brasileiro de Televisão. No mesmo dia foi divulgada, no Programa do Gugu, uma nota da emissora sobre o assunto: "Atenção, clientes da Telesena e do Baú da Felicidade: o Programa Tentação e o Sorteio da Telesena não serão apresentados neste domingo, dia 26, por motivo de força maior. No próximo domingo, esses programas e o Show do Milhão estarão de volta em nossa programação normal". Logo após o Domingo Legal, apresentado por Gugu Liberato, foram exibidos dois filmes. A razão do cancelamento não foi apresentada na nota, mas obviamente as atrações não foram gravadas por Silvio Santos por causa do seqüestro de sua filha Patrícia.

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