Primeiro dia de curso de reciclagem é dado para 22 PMs no Rio

Tenente que defendeu ação da PM, que acabou na morte de administrador, ficou constrangido com instruções

Talita Figueiredo, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2008 | 19h45

A instrução é clara: o policial militar não deve atirar em um carro durante uma abordagem ou perseguição policial se ele não conseguir identificar quem está dentro do veículo. A afirmação é do chefe de instrução do Batalhão de Operações Especiais (Bope), major Fábio Souza, responsável pelo curso de reciclagem que começou a ser ministrado para todos os PMs lotados em batalhões da capital e que trabalham nas ruas. Nesta quarta-feira, 16, 22 homens do 3.º Batalhão da Polícia Militar, no Méier, zona norte do Rio, participaram do curso que dura apenas três horas.   Veja também: Em 60 dias, 7 inocentes foram mortos por PM do Rio Vítima de seqüestro relâmpago é morta por PMs após perseguição Flagra do momento em que PM cerca carro de administrador   "É protocolo: você não deve atirar naquele carro. E se tiver uma pessoa seqüestrada dentro dele? Mesmo que a pessoa atire contra você (não deve haver revide). Ou você se abriga ou pára a perseguição e pede reforço pelo rádio. Você atira quando está vendo efetivamente (o alvo), ou seja, o marginal que atirando em você. Aí você atira", enfatizou o major. A afirmação causou constrangimento ao relações pública da PM, tenente-coronel Rogério Leitão, que estava com a imprensa que teve permissão para acompanhar o curso, nesta tarde.   Fotos: Fábio Motta/AE    Leitão tentou argumentar que o caso do administrador de empresas Luiz Carlos Soares da Costa era diferente, por ser legítima defesa. Na terça-feira, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, também defendeu a ação dos quatro policiais no caso do administrador. Depois das declarações, o major Fábio foi impedido de continuar conversando com a imprensa.   O curso é dividido em três tópicos, um por hora. Primeiro, os policiais militares revisam as instruções sobre o "uso seletivo da força", que vai desde o uso da autoridade policiais até o uso de uma arma letal. De acordo com o major, o uso da arma só permitido quando "se fecha um triângulo".     "É necessário que o opositor tenha uma arma, que ele tenha a oportunidade de usá-la e que ele possa agir contra o policial ou uma terceira pessoa", informou. Em seguida, os PMs revêem os métodos de uso de algemas e condução de presos - este tópico foi apresentado ontem apenas na teoria e os policiais não praticaram o uso de algemas, como normalmente acontece.   Na última hora do curso, os policiais treinam a técnicas de abordagem de veículo. Os instrutores, todos do Bope, ensinam como os PMs devem se dirigir aos ocupantes do carro de forma a se protegerem de eventuais confrontos. Em grupos, eles entram em uma carro e repetem as instruções recebidas. Ontem, muitos tiveram de ser corrigidos, desde a forma como falar com o motorista, até a forma de se posicionar para que não corram risco de vida.   Ajuda de SP   O relações públicas da PM anunciou que pedirá à Polícia Militar de São Paulo que disponibilize um vídeo usado pela corporação que mostraria o efeito de cada calibre de arma. "É um vídeo que queremos mostrar nos batalhões", afirmou. Leitão disse ainda que uma equipe da cúpula da corporação está revisando os manuais e vídeos de instrução usados pela PM. O material será reeditado e distribuído nos batalhões.

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