Marciano Candia/AP
Marciano Candia/AP

Sobe para cinco número de presos recapturados após fuga em massa no Paraguai

Quatro foragidos paraguaios e um brasileiro foram encontrados pela polícia; 75 integrantes do PCC fugiram de penitenciária de Pedro Juan Caballero no domingo

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2020 | 12h04
Atualizado 21 de janeiro de 2020 | 16h17

SOROCABA - Subiu para cinco o total de presos recapturados após a fuga em massa de 75 integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) da penitenciária regional da cidade de Pedro Juan Caballero, que ocorreu no domingo, 19, no Paraguai. O município fica na fronteira com Mato Grosso do Sul, no Brasil. A vigilância na região foi reforçada pela polícia brasileira.

A polícia nacional do Paraguai informou que três homens de nacionalidade paraguaia foram presos na noite de segunda-feira, 20, na cidade paraguaia de Concepción. Os foragidos, Ronald Francisco Britez Lopez, de 20 anos, Orlando Manuel Torres Verón, de 22, e José Enrique Ullón Duarte, de 27, foram levados para a delegacia sede das investigações, em Pedro Juan Caballero.

Na tarde do mesmo dia, a polícia paraguaia já havia recapturado Sabio Dario González Figueiredo. Pela manhã, policiais do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) do Mato Grosso do Sul tinham detido, em Ponta Porã, Eduardo Alves da Cruz, de 30 anos, o único dos 40 brasileiros foragidos a ser recapturado até agora.  

O brasileiro foi abordado em um dos bloqueios, em Ponta Porã, e levado para a delegacia da Polícia Civil para identificação. Conforme o secretário, ele é de Imperatriz, no Maranhão, e cumpria pena no Paraguai por tráfico de drogas havia quatro anos. Ainda será decidido o destino do recapturado.

A fuga dos presos por um túnel de 20 metros cavado pelos detentos resultou na destituição e prisão do diretor do presídio e de outros 29 agentes de segurança. Conforme a promotora Reinalda Palacios, que está à frente da investigação, algumas câmeras instaladas no presídio não estavam funcionando no momento da fuga.

Desde domingo, cerca de 500 quilômetros da fronteira com o Paraguai estão com barreiras montadas pelas forças do Estado e da União na tentativa de evitar a entrada dos fugitivos no Brasil.

Ministra decretou intervenção na penitenciária de Pedro Juan

No Paraguai, a ministra da Justiça, Cecilia Pérez, baixou resolução na tarde de domingo, 19, decretando intervenção na penitenciária de Pedro Juan Caballero. A medida foi tomada após a fuga. O diretor do presídio, Christian González, foi demitido do cargo e colocado à disposição da Justiça.

A ministra designou como interventor Domingo Antonio Bazan Rojas, que respondia pela penitenciária regional de Concepción. Segundo a assessoria de imprensa da pasta, a ministra determinou também a revisão dos procedimentos de segurança em todos os presídios que abrigam presos de facções criminosas no Paraguai.

As férias de funcionários foram suspensas e houve determinação de que todos se apresentem a seus postos de trabalho na manhã desta segunda, como medida de segurança. A estimativa das autoridades paraguaias é de existirem cerca de 600 detentos ligados ao PCC, a facção brasileira que controla a maioria dos presídios.

Também foi aberta uma investigação interna para apurar possível participação de agentes na fuga. “É alta a possibilidade de envolvimento de funcionários corruptos da penitenciária na fuga dos integrantes do PCC, porque é impossível que não tenham visto a quantidade de areia em uma das celas. Não é possível que os funcionários não tenham podido ver uma saída (buraco) no perímetro da penitenciária. Há uma evidente conivência”, afirmou a ministra, em nota.

Após a fuga, uma vistoria encontrou cerca de 200 sacos de areia amontoados em uma cela, o que reforçou a suspeita de omissão ou conivência de funcionários. Em outubro de 2018, a polícia paraguaia descobriu um túnel em construção em uma casa vizinha da penitenciária de Pedro Juan Caballero.

A obra tinha estrutura para comportar a passagem de até três pessoas por vez. O corredor subterrâneo já havia ultrapassado o muro do presídio, quando foi descoberto. Na ocasião, as autoridades do sistema penitenciário informaram que o túnel serviria para fuga de 90 integrantes do PCC e chegaram a comemorar o fato do plano de fuga ter sido frustrado.

No domingo, a ministra chegou a colocar o cargo à disposição do presidente Mario Abdo Benitez, mas ele não aceitou o pedido. No ano passado, o então titular da pasta, Julio Rios, foi demitido após o resgate de Jorge Samudio, um dos líderes do Comando Vermelho, outra facção brasileira que atua no Paraguai. Samudio foi libertado após um ataque ao comboio que o levava para prestar depoimento no Palácio de Justiça. Um policial que fazia parte da escolta foi morto na ação. Ele já estava com o cargo em risco, quando duas rebeliões organizadas pelo PCC deixaram 10 mortos e 18 feridos.

Guardas ficam calados em audiência

Os 30 guardas e o ex-diretor da penitenciária de Pedro Juan Caballero permaneceram em silêncio durante audiência realizada nesta segunda-feira, 20, no fórum judicial da cidade. Os 31 agentes públicos continuaram detidos após o interrogatório.

Conforme o Ministério Público do Paraguai, os três promotores que investigam uma possível facilitação da fuga ou conivência dos agentes com os fugitivos estudam pedir a prisão preventiva dos suspeitos. Eles devem ser acusados de “frustração da acusação e execução criminal, libertação ilegal de prisioneiros e associação criminosa”. Imagens de câmeras do interior do presídio e das vias externas estão sendo analisadas para determinar se a fuga se deu só pelo túnel ou se também houve a saída dos presos pela porta da frente, a pé ou em vans.

Governo do Acre quer saber se fuga local tem relação com o Paraguai

Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foram acionadas pelo governo do Acre para ajudar com informações sobre a fuga de 26 presos do Presídio Francisco de Oliveira Conde na madrugada desta segunda-feira, 20, em Rio Branco, capital do Acre. O objetivo é saber se há relação com a fuga de integrantes do PCC no Paraguai

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