Primo de goleiro Bruno diz que Eliza Samudio está morta

Segundo adolescente, corpo de jovem foi entregue a traficante; versão não convence polícia

Pedro Dantas e Gabriela Moreira, de O Estado de S. Paulo

06 de julho de 2010 | 18h14

RIO - Um primo de 17 anos do goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, confessou participação no desaparecimento de Eliza Samudio, de 25 anos, amante do jogador. Segundo J., Eliza está morta. Ele fez as revelações em depoimento na Delegacia de Homicídios (DH), do Rio, após ser apreendido na casa do atleta, na Barra da Tijuca. A versão, que eximiu Bruno de qualquer responsabilidade no crime, não convenceu os policiais, que continuarão investigando o jogador.

 

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De acordo com o depoimento de J. à DH, o amigo de Bruno - Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão -, convenceu Eliza a ir com o filho, de 4 meses, do Hotel Transamérica, na Barra da Tijuca (zona oeste) para o sítio do goleiro, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo o primo do jogador - que não citou o nome do atleta em nenhum momento - armado com uma pistola, ele viajava escondido na Range Rover de Bruno, quando Eliza o viu e houve uma discussão.

 

Neste momento, o adolescente teria dado uma coronhada em Eliza, que, sangrando, ficou desacordada até chegar em Belo Horizonte, onde teria chegado com vida. De acordo com a versão do adolescente, Eliza morreu em decorrência do ferimento e o corpo foi entregue por Macarrão a um traficante de Contagem, conhecido como Cleisson, para ser "desovado."

 

A polícia foi à casa de Bruno após uma entrevista de um tio de J. à rádio Tupi, no Rio. Segundo este tio, que é motorista de ônibus, o adolescente estava sendo mantido em cárcere privado na residência do jogador. A versão contada por este parente é diferente do que foi dito pelo jovem. Segundo o tio, foi o goleiro Bruno que teria mandado entregar o corpo de Eliza a traficantes e por este trabalho, teria pago R$ 3 mil. Ainda de acordo com a entrevista, "os advogados do goleiro estariam instruindo os envolvidos no sumiço de Eliza a dizer que ela teve uma discussão dentro do carro com o adolescente, e que acabou levando um soco no rosto, por isso as marcas de sangue no veículo."

 

A amiga de Eliza, que denunciou o desaparecimento da jovem, garante que ambas versões não condizem com as conversas que teve com a amiga, uma delas, quando a ex-namorada de Bruno já estava em Belo Horizonte, no dia 9 de junho, um dia depois da Range Rover ser apreendida numa blitz, na capital mineira. "Nunca ouvi falar neste primo. A Eliza disse que foi convidada pelo Bruno a ir para Minas", afirma a amiga, que pediu para não ser identificada, pois teme represálias. Pouco depois do início do depoimento de J., um dos advogados do goleiro esteve na delegacia.

 

Segundo Monclar Gama, quando a polícia chegou à casa do jogador, Bruno estava em casa e permitiu a entrada das equipes. Ele negou que Bruno estivesse mantendo o adolescente em cárcere privado. "Não houve cárcere privado. O Bruno recebeu um telefonema e franqueou o acesso da polícia à sua residência. Nós fomos acionados pelo goleiro, que queria saber o motivo pelo qual a polícia trouxe o rapaz para cá, mas não tivemos acesso ao depoimento, pois o jovem está acompanhado de um parente", afirmou Gama, que integra o escritório do advogado Michel Assef.

 

Por determinação da presidente do clube, Patrícia Amorim, Bruno está afastado do time titular até o fim das investigações. Enquanto o inquérito não é concluído, o goleiro treina para manter a forma.

 

Depois de mais de sete horas de depoimento, por volta das 22h15, o adolescente J. foi encaminhado para a DPCA (Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente), que o apresentaria ainda no fim da noite desta terça à Vara da Infância, da Juventude e do Idoso. Cabe ao juiz de plantão o encaminhamento do garoto a um abrigo, onde aguardará julgamento. Segundo a polícia, J. deverá ser indiciado por sequestro.

 

Expectativa. Luís Carlos Samudio, pai de Eliza, está evitando falar sobre o teor do depoimento do adolescente. Eleo chegou hoje, no início da tarde, a Foz do Iguaçu, depois de ter passado mal ontem enquanto acompanhava em Belo Horizonte (MG) as investigações sobre o desaparecimento da filha, coordenadas pela Polícia Civil mineira.

 

"A cada corpo que dizem ter encontrado, ele (Samudio) fica bastante ansioso, agitado, nervoso", disse o advogado Sérgio Barros da Silva. "Como não estava passando muito bem, resolvemos voltar para Foz do Iguaçu a fim de que ele fizesse alguns exames médicos", explicou. Na segunda-feira, o pai de Eliza foi informado sobre um corpo de mulher encontrado em avançado estado de decomposição. "Só ficou aliviado depois de comprovar que não era a filha."

 

Na casa do pai de Eliza, os familiares confirmaram que estão acompanhando as informações pela internet, mas também preferiram não comentar as notícias sobre o suposto assassinato. Apenas o advogado da família está falando sobre o caso. No final da tarde, Silva disse que ele e Samudio devem embarcar de volta a Minas Gerais logo nas primeiras horas desta quarta-feira. "As investigações estão caminhando para a fase final e logo tudo isso estará resolvido."

 

(Com Fabiula Wurmeister, especial para o Estado, de Foz de Iguaçu)

 

Texto atualizado às 23h22.

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