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Primo do goleiro Bruno é assassinado em Minas Gerais

Sérgio Rosa Sales, de 24 anos, aguardava em liberdade o julgamento pelo assassinato de Eliza Samúdio

Marcelo Portela - O Estado de S.Paulo,

22 Agosto 2012 | 10h25

Texto atualizado às 17h25.

BELO HORIZONTE - O primo do goleiro Bruno Fernandes, Sérgio Rosa Sales, de 24 anos, foi assassinado a tiros nesta quarta-feira, 22. Ele era o único acusado de envolvimento na morte de Eliza Samudio, ex-amante do atleta, que aguardava o julgamento em liberdade e foi executado com seis tiros perto de sua casa no bairro Minaslândia, na região norte de Belo Horizonte. A Polícia Civil ainda investiga várias possibilidades, mas não descarta a hipótese de ele ter sido vítima de uma queima de arquivo, já que os depoimentos do rapaz foram decisivos nas investigações a respeito da morte de Eliza.

Segundo a Polícia Militar, Sales trabalhava atualmente como servente de pedreiro e foi seguido por um homem em uma moto ao sair de casa para o trabalho no início da manhã.

Segundo o sargento Célio José de Oliveira, do 13º Batalhão da PM (BPM), testemunhas contaram que o rapaz ainda tentou escapar correndo, mas foi seguido por cerca de dois quarteirões e morto no quintal de uma residência próxima ao cruzamento das ruas Aracitaba e Maria Madalena. De acordo com o militar, enquanto a vitima, que já havia levado um tiro no rosto, tentava se proteger atrás de uma árvore o suspeito ainda teria recarregado o revólver para consumar a execução.

A vítima aguardava julgamento pelo assassinato de Eliza, ainda sem data prevista para ocorrer, junto com Bruno, seu ex-braço direito Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que estão presos. Eles respondem por sequestro, cárcere privado, homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver da ex-amante do goleiro e com quem o atleta teve um filho. Então com 24 anos, ela está desaparecida desde junho de 2010 e seu corpo nunca foi encontrado.

Sales também foi preso durante as investigações, mas havia sido beneficiado por uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) e deixou a cadeia em 11 de agosto do ano passado, após mais de um ano na prisão. Durante a apuração do desaparecimento de Eliza, as declarações do rapaz ajudaram a polícia a concluir que a vítima estava morta. Em depoimento, ele contou que ouviu Bruno e Macarrão falando sobre o assassinato e também mostrou aos policiais o sítio do goleiro em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde Eliza foi mantida antes de desaparecer.

A versão de Sérgio coincidiu com a de outro primo do atleta, um rapaz que era adolescente à época do crime e que já foi condenado a medida sócioeducativa por seu envolvimento no sequestro e morte de Eliza. Apesar de terem confessado no início das investigações, os dois mudaram as declarações posteriormente e passaram a negar a morte da jovem, mas a polícia não se convenceu e indiciou os dois, além de outras oito pessoas.

"O Sérgio Rosa Sales prestou informações, no curso das investigações, relevantes para o esclarecimento da autoria do assassinato de Eliza Samudio. Então, pode ter realmente essa hipótese", afirmou o chefe da Divisão de Crimes contra a Vida (DCcV) da Polícia Civil mineira, delegado Wagner Pinto, referindo-se à possibilidade de Sales ter sido vítima de uma queima de arquivo. "O certo é que nós iremos trabalhar para definir a real motivação do crime. As investigações é que irão definir a real causa da morte", acrescentou.

Já o delegado Breno Pardini, responsável pelo inquérito, confirmou que o rapaz foi executado, mas salientou que é preciso averiguar outras possibilidades. "Vamos verificar a situação de vida dele nesses últimos tempos para ver o motivo dessa execução. Temos que olhar se ele teve alguma desavença grave recente. Isso é um levantamento de campo que os investigadores vão dar prosseguimento", declarou. O Estado tentou falar com o advogado de Sales, Marco Antônio Siqueira, mas ele não atendeu as ligações nem retornou os recados. Já o advogado de Bruno, Rui Pimenta, disse apenas que a morte do rapaz "não muda nada na linha da defesa" do goleiro.

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