Primo do goleiro Bruno volta atrás em audiência e nega depoimentos

Sérgio Sales disse que foi pressionado e torturado por policiais para contar que Elisa havia sido morta por Bola a mando do ex-jogador de futebol; buscas por corpo da vítima foram retomadas em lagoa

Marcelo Portela, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2010 | 19h35

BELO HORIZONTE - Sérgio Rosa Sales, primo do goleiro Bruno Fernandes de Souza, negou nesta quarta-feira as declarações que deu sobre o sequestro e a já considerada morte - embora o corpo não tenha sido encontrado - da ex-amante do atleta Eliza Samudio e pediu a destituição de seu advogado, Marco Antônio Siqueira. Sales, que também é acusado do crime, foi um dos principais colaboradores da Polícia Civil nas investigações sobre o desaparecimento de Eliza, mas alegou ter sido torturado para dar as informações.

As declarações foram feitas pouco após o início de audiência no fórum de Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte. Ao chegar no local, Bruno mandou beijos para as filhas que tem com a ex-mulher Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, também presa acusada de participar do crime. As duas meninas conseguiram se aproximar e beijar a mãe, que entrou no fórum aos prantos.

Em seus depoimentos, Sérgio Sales afirmou que Eliza foi morta na região metropolitana de Belo Horizonte pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, a mando do goleiro. O assassinato teria a participação também do amigo de Bruno, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e de outro primo do atleta, um rapaz de 17 anos já condenado pela Justiça. Nove pessoas respondem a processo pelo crime, apesar de o corpo de Eliza nunca ter sido encontrado.

Hoje, porém, durante o depoimento de uma das testemunhas de defesa, Sales pediu a palavra e disse que havia mentido depois de ter sido pressionado e torturado pela polícia. Ele também pediu a destituição do advogado e afirmou que gostaria de ser defendido por Willer Vidigal. Ele trabalha com Marco Antônio Siqueira, que já havia pedido para deixar o caso alegando ter sido ameaçado pelo advogado de Bruno, Ércio Quaresma, que negou a acusação.

O delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) da Polícia Civil mineira, que coordenou as investigações sobre o desaparecimento de Eliza, também negou as acusações de Sales e disse apenas que as alegações se tratam de "uma estratégia da defesa".

A juíza Lucimeire Rocha, que presidiu a audiência de hoje, afirmou que as declarações do acusado constarão na ata, apesar de ele não ter sido ouvido formalmente, e que vai encaminhar as informações para a Corregedoria da Polícia Civil e para o Ministério Público (MP). Hoje, estavam previstas as oitivas de 15 testemunhas, mas cinco delas foram dispensadas. Os depoimentos dos réus começam no início da próxima semana.

Buscas. Uma equipe com cerca de 30 homens do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil iniciaram hoje buscas pelo corpo de Eliza no Parque Lagoa do Nado, na região da Pampulha, que tem 300 mil metros quadrados, principalmente de matas. As buscas se concentraram na lagoa, com duas equipes de mergulhadores e um barco, mas os trabalhos são dificultados pela água escura.

Segundo a polícia, as buscas devem ser realizadas no local pelo menos até sexta-feira, e se o corpo não for encontrado na água, também será feita varredura nas matas com auxílio de cães farejadores. Desde o início das investigações, em julho, já foram feitas buscas em várias matas da região metropolitana de Belo Horizonte.

"A polícia tem informações nos autos, através da bilhetagem do telefone, de que o Marcos Aparecido dos Santos, vulgo Bola, fez ligações, horas após o crime, dessa área", afirmou o delegado Frederico Abelha, que participa das buscas. "Foi feito um estudo dos passos do Bola e há a possibilidade de o corpo estar aqui", acrescentou Edson Moreira.

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