TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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Principal obra em Minas contra crise hídrica ficará pronta só no fim de 2015

Projeto prevê captação no Rio Paraopeba para o provimento do reservatório Rio Manso; previsão é do próprio governo do Estado

Marcelo Portela, O Estado de S. Paulo

26 Janeiro 2015 | 18h21

BELO HORIZONTE - A principal obra para aliviar a situação do atual sistema de abastecimento de água de Belo Horizonte só ficará pronta no fim de 2015. A estimativa é do próprio governo sobre o prazo para a conclusão do projeto que prevê captação no Rio Paraopeba para provimento no reservatório Rio Manso, um dos três do sistema que leva o nome do rio. Nesta segunda-feira, 26, o sistema tinha 30,03% da capacidade, segundo a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).

Para tentar reduzir a pressão sobre o sistema, o governador Fernando Pimentel (PT) reuniu-se nesta segunda com os prefeitos dos 34 municípios da região metropolitana da capital mineira para solicitar a redução no consumo de água. Segundo a Copasa, 31 dessas cidades têm "problemas críticos" de abastecimento. A empresa também iniciou campanha solicitando aos consumidores que reduzam em 30% a quantidade de água usada e já adotou as primeiras medidas legais para iniciar racionamento e cobrança de sobretaxa pelo consumo excessivo no Estado, caso seja mantido o nível de queda dos reservatórios. Na quinta passada, 22, o governo admitiu possibilidade de racionamento em quatro meses.


No Paraopeba, de acordo com a estatal, o reservatório Rio Manso tinha nesta segunda 44,78% de sua capacidade, o Vargem das Flores, 27,72%, e o Serra Azul, 5,80%, já no volume morto. A capital também é abastecida pelo Rio das Velhas, com captação no fio d'água. Nesta segunda, a vazão era de 29,28 metros cúbicos por segundo, volume favorecido pela chuva que caiu em vários pontos da região metropolitana no fim de semana. Na semana passada, a vazão chegou a 8 metros cúbicos por segundo, enquanto a média histórica do período é dez vezes maior.

De acordo com o prefeito de Vespasiano, Carlos Murta (PMDB), presidente da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel), houve "falhas" no sistema nos últimos anos e agora "cada município tem que contribuir com novas soluções". "Nenhuma das 34 cidades está sem água, mas a coisa pode ficar mais grave se as pessoas não economizarem. Se não houver economia e a compreensão do cidadão, vamos ter uma crise que jamais se passou na região", avaliou.

Para o governo estadual, a obra no Rio Paraopeba, uma parceria público-privada (PPP) com orçamento de R$ 693 milhões iniciada na gestão anterior. Segundo o secretário de Estado de Obras Públicas, Murilo Valadares, para haver "tranquilidade na região metropolitana" a saída é "retirar água do Paraopeba para abastecer o Rio Manso". "Se conseguirmos agilidade, rapidez e competência, vamos criar condições para nos meses de outubro e novembro já possamos ter uma perspectiva de abastecimento", afirmou, ressaltando que as medidas que o governo adotar serão "de acordo com os prefeitos" da região.

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