Príncipe confessa roubo de objetos do Palácio Imperial

O príncipe Pedro Tiago de Orleans e Bragança, suspeito de ter furtado vários objetos do Palácio Grão-Pará, prestou depoimento hoje na 105a Delegacia de Polícia (Petrópolis). Acompanhado pelo pai, d. Pedro Carlos, o herdeiro da fortuna da família real brasileira confirmou ser o responsável pelo desaparecimento de 47 peças do serviço de porcelana.Ele disse ter vendido as peças por R$ 8.900 para o antiquário Agnello Aloisio, localizado em Araras (próximo a Petrópolis) e o fez porque acreditava que o serviço de porcelana pertencia a seu pai, d. Pedro Carlos, tataraneto do imperador Pedro II. Ele disse ter aceito a oferta do antiquário por achar que as peças "não tinham utilidade para ele ou para sua família".O sumiço das peças foi notificado à polícia pela tia de Pedro Tiago e irmã de Pedro Carlos, d. Cristina, que afirma ser a dona do serviço de porcelana. Segundo ela, além das 68 peças (e não 47, pelas contas do sobrinho), desapareceram do Palácio Grão-Pará (residência oficial da família) um colar de esmeraldas, bandejas de prata e uma estatueta em forma de cachorro.Ainda hoje, a polícia deve tomar o depoimento de d. Pedro Carlos para saber qual foi o envolvimento do irmão de d. Cristina no desaparecimento dos objetos. Segundo o investigador Gilmar Gomes, durante o depoimento, Pedro Tiago deixou claro que seu pai não sabia que ele havia vendido as peças de porcelana. O próximo passo das investigações é ouvir o autor da compra.O suposto furto foi comunicado à polícia no último dia 17 pela princesa Cristina. No depoimento, ela teria insinuado que o sobrinho foi o responsável pelo desaparecimento dos objetos.As peças de porcelana reapareceram e voltaram ao palácio. Elas foram localizadas em um antiquário de São Paulo pelo pai de Pedro Tiago, que viajou a São Paulo e recuperou as peças com intenção de abafar o caso.Mas isso não evitou que d. Cristina registrasse o caso na polícia e, com isso, tornasse público o conflito familiar. Procurada pelo Estado, a princesa não foi encontrada. Desde a semana passada, apenas uma secretária eletrônica atende os telefonemas em sua casa e em sua loja. Pedro Tiago e sua advogada também foram procurados, mas também não retornaram as ligações.

Agencia Estado,

29 de outubro de 2001 | 19h45

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