Príncipe japonês adere à informalidade brasileira

Naruhito foi tocado, fotografado de frente e apertou muitas mãos em visita ao Congresso; em encontro com Lula, protocolo foi seguido à risca

Denise Chrispim Marin e Rejane Lima, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2008 | 00h00

O príncipe herdeiro do Japão, Naruhito, viveu ontem um dia de plebeu. No ápice das celebrações do centenário da imigração japonesa, Sua Alteza Imperial se deixou levar pela recepção calorosa em Brasília, desconsiderou improvisos e imperfeições condenáveis pela tradição de seu país, se esbaldou com a degustação de carne e acabou assimilando um bocado da informalidade brasileira. Cumprido à risca no Palácio do Planalto, o protocolo foi para o espaço no Congresso Nacional, onde o príncipe foi tocado, apontado, encarado e fotografado de frente por parlamentares e convidados enlouquecidos para vê-lo. Com um sorriso congelado na face, Naruhito nunca terá apertado tantas mãos em um dia - formalidade ocidental nada usual no Japão. E começou pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dona Marisa Letícia, que o receberam no topo da rampa do Planalto.Em um palco montado no Salão Nobre, Naruhito assistiu à emissão de dois selos comemorativos, desenhados por Adriana Shibata, e à entrega de uma medalha criada por Tomie Otake. Durante a cerimônia tediosa, ele despertou a atenção da platéia ao bater sua cabeça na do presidente Lula, quando tentava alcançar o aparelho de tradução simultânea, que deixara cair.Além dos brasileiros, Naruhito e sua corte também cometeram pequenos deslizes. O príncipe chegou ao Planalto com oito minutos de atraso. No discurso, lembrou a forma calorosa como foi recebido em 1982, em sua primeira visita. O príncipe destacou as dificuldades dos primeiros imigrantes, "que foram assentados sem ter noções suficientes sobre o local". Mas teve a delicadeza de mencionar os mais de 300 mil brasileiros que fizeram o caminho inverso nas últimas décadas.No Congresso, Naruhito se dobrou à recepção calorosa e ao improviso. O príncipe pisou no enrugado tapete vermelho estendido na rampa e foi recebido na entrada do Salão Negro por uma pequena multidão liderada pelo presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). Ao deixar o plenário da Câmara, se deixou levar pelo assédio dos deputados.O périplo de Sua Alteza por Brasília acabou no Itamaraty, em um evento cronometrado para permitir ao presidente Lula assistir à disputa entre a seleção de Dunga e a Argentina. Geralmente programada para encerrar celebrações, uma queima de fogos foi oportunamente agendada para as 20 horas. Em seguida, Lula recebeu Naruhito para um jantar, com encerramento previsto para as 21h50, horário da partida no Mineirão.SANTOS As comemorações da imigração japonesa ocorreram durante todo o dia de ontem em Santos, a partir da chegada de três navios lembrando o Kasato Maru, que há um século trouxe os primeiros 781 japoneses. Os tripulantes dos navios Kashima, Asagiri e Umigiri foram recebidos por 300 pessoas, que carregavam faixas de boas-vindas e bandeiras dos dois países. O Kashima, o maior, atracou às 9 horas. Ao som de Aquarela do Brasil e Brasileirinho, tocadas pela banda do Exército, autoridades locais receberam os japoneses.Agora, a cidade se prepara para as novas homenagens que vão ocorrer no sábado durante a visita do príncipe herdeiro Nahurito, quando será inaugurada uma escultura de Tomie Ohtake, no Emissário Submarino de Santos. A escultura vermelha de formas onduladas indefinidas recebia os últimos retoques ontem.

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