Príncipe japonês fotografa o Rio do Pão de Açúcar

Naruhito quebra mais uma vez o protocolo e conversa rapidamente com os jornalistas japoneses

Felipe Werneck, de O Estado de S. Paulo,

24 de junho de 2008 | 13h15

O protocolo foi quebrado nesta terça-feira, 24, mais uma vez pelo príncipe herdeiro do Japão, Naruhito, em visita oficial ao Rio. Ele aproveitou a visita ao Pão de Açúcar, pela manhã, para praticar um de seus hobbies, a fotografia. No topo do morro, Naruhito pediu uma Canon emprestada, virou de costas para os fotógrafos e apontou a máquina para o Cristo Redentor. Mas o céu estava nublado, e o Cristo, encoberto. Em rápida conversa com jornalistas japoneses, ele disse que gostou do que viu. Depois, o príncipe seguiu para o Jardim Botânico.   Veja também: 100 anos da imigração japonesa    Foto: Efe    Antes de conhecer o jardim japonês e plantar uma muda de ipê branco, Naruhito modificou a agenda prevista e percorreu o local em um carro elétrico, acompanhado do presidente do Jardim Botânico, Liszt Vieira. "Mostramos plantas brasileiras e ele ficou muito interessado na origem Real do Jardim Botânico, que completa 200 anos no centenário da imigração japonesa", disse Vieira. Segundo ele, Naruhito ficou encantado com a vitória-régia e o pau-mulato (Calycophyllum spruceanum), árvore amazônica de crescimento lento, que pode atingir até 30 metros de altura, notável pelo tronco duro e retilíneo, revestido de casca fina, muito lisa e escorregadia.   Foto: Efe   A aparente tranqüilidade e descontração do príncipe destoava da tensão demonstrada pela comitiva de assessores, diplomatas e seguranças. A agenda, inicialmente cheia de restrições, exigências e prazos, foi revista várias vezes ao longo do dia. Após um almoço oferecido pelo governador Sérgio Cabral Filho no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, o príncipe herdeiro seguiu para uma recepção no Centro Cultural Banco do Brasil, no centro. Ele conversou com o ex-jogador Zico, que é considerado um ídolo no Japão, onde viveu por 15 anos, e artistas como Flávio Shiró, as cantoras Joyce, Ithamara Koorax e Fernanda Takai, e os compositores Paulo Jobim e Wagner Tiso.   Foto: Wilton Júnior/AE   Naruhito disse que sua mulher tem uma amiga japonesa que é cantora de bossa nova e elogiou a versão de Garota de Ipanema que ouvira na véspera, no Teatro Municipal, cantada por Joyce. As três cantoras entregaram CDs para o príncipe. "Eu disse que estava aprendendo japonês, que era uma honra falar com ele, e perguntei se ele gostava de música brasileira. Ele citou Villa-Lobos e a bossa nova", disse Fernanda Takai, que tem origem sansei por parte de pai. "Meus amigos japoneses não acreditaram que eu iria encontrá-lo. É uma coisa tão exclusiva, tão importante para eles. O príncipe foi muito simpático e atencioso, ele quebra o protocolo mesmo. Fiquei orgulhosa, vim de Belo Horizonte só para isso."   Zico disse que foi "bonito e emocionante" rever Naruhito no Rio. "Conheci o príncipe e a família dele no Japão. São coisas que jamais vou esquecer. Ele está falando bem português", declarou. Se a agenda for cumprida no último dia da viagem, Naruhito deverá voltar nesta quarta-feira, 25, para o Japão.   Atualizado às 19h41

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