Tasso Marcelo/AE
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Prisão de coronel derruba comandante da PM do Rio

Coronel Mário Sérgio Duarte deixou corporação após Polícia Civil acusar chefe de batalhão de ordenar morte de juíza

29 de setembro de 2011 | 09h27

Um dia após a Polícia Civil do Rio acusar o comandante de um atalhão da Polícia Militar de ser o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli, o coronel Mário Sérgio Duarte deixou o comando da PM do Rio, ontem. O desligamento foi divulgado pela secretaria estadual de Segurança em nota distribuída às 23h03.

Segundo a pasta, Duarte pediu exoneração ao secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, que “lamentou a saída”, mas aceitou o pedido. Ainda não foi divulgado o nome do substituto de Duarte.

O tenente-coronel Claudio Silva de Oliveira, acusado de ser mentor do assassinato da juíza Patrícia Acioli, ocorrido em 11 de agosto, era comandante do 7º Batalhão (São Gonçalo) quando o crime ocorreu. Dias depois, por iniciativa de Duarte, ele foi transferido para o 22º Batalhão (Maré). Mesmo antes do surgimento dos indícios de participação do tenente-coronel no assassinato, Beltrame defendia que Oliveira fosse afastado. Duarte, no entanto, preferia apenas transferi-lo de Batalhão.

Na carta de exoneração, Duarte afirma que “a escolha do seu nome, como o de cada um que comanda unidades da PM, não pode ser atribuída a nenhuma pessoa a não ser a mim”. A nota distribuída pela secretaria de Segurança afirma que o ex-comandante “reconheceu o equívoco e, ciente do desgaste institucional decorrente de sua escolha, pediu, voluntariamente e em caráter irrevogável, para deixar o comando da PM”.

Prejuízo. A execução da juíza foi tramada depois que o trabalho dela passou a ameaçar policiais que roubavam armas, drogas e dinheiro de criminosos em operações em favelas de São Gonçalo. Desde maio, líderes de um grupo de nove agentes do 7.º Batalhão demonstravam “preocupação de que a juíza poderia prejudicar os policiais”. Detalhes do plano foram relatados por um cabo que participou da execução, em 11 de agosto. Dizendo-se “arrependido”, delatou os membros da quadrilha para obter proteção e redução da pena.

De acordo com o militar, foi o tenente Daniel Benítez, líder do Grupo de Ações Táticas (GAT), “quem trouxe para dentro da equipe a ideia de matar a juíza”. Patrícia Acioli combatia a ação de milícias. Ela também acusava agentes do 7.º BPM de forjar autos de resistência (mortes em confronto com a polícia) para encobrir assassinatos.

“O tenente Benítez reclamava do trabalho da juíza, até que começou a comentar sobre a possibilidade da morte dela”, afirmou o cabo no depoimento ao juiz Peterson Barroso Simão, da 3.ª Vara Criminal de Niterói. “Benítez levou o assunto para a equipe e todos concordaram.”

O cabo revelou que foi um dos autores dos disparos e ateou fogo ao carro usado na execução. As armas usadas também teriam sido destruídas. O então comandante do 7.º Batalhão, tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, preso na noite de segunda-feira, é acusado de ser o mandante. O policial não confirmou se a ordem da execução partiu dele. Benítez e Oliveira negam participação no assassinato. /COLABOROU BRUNO BOGHOSSIAN

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