Prisão de libanês revela nova rota do tráfico

Uma nova rota usada pela conexão libanesa do tráfico de drogas foi descoberta pelo Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) com a prisão do comerciante libanês Abdallah Sobhi Nabha, de 36 anos, seguidor do Hezbollah (Partido de Deus), grupo extremista do Líbano. Nabha foi preso em seu sítio de alto padrão, em Mairiporã, na noite desta quinta-feira. Ele mantinha uma oficina especializada em ocultar cocaína em malas de viagem. Os 20 investigadores que trabalharam nas apurações apreenderam, além dos equipamentos usados para enviar a droga, 50 malas e 2,5 quilos de cocaína.Informações sobre o libanês chegaram ao Denarc em janeiro, quando o delegado Robert Leon Carrel prendeu, na zona norte da capital paulista, os libaneses Abdul Moneym Kassem Ahmad, de 33 anos, e Fadi Hassam Nabha, de 28. Eles estavam com 42 quilos de cocaína. Fadi Nabha, primo do libanês preso ontem, era procurado pelo Denarc desde 2001. Casado com uma brasileira há três anos, o comerciante Abdallah Sobhi Nabha esteve preso na Síria de 1991 a 1997 por tráfico de drogas e por ligações com a compra de armas pelo Hezbollah.No sítio onde morava, no bairro Terra Preta, Nabha tinha uma bandeira do Líbano e uma foto do secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah. Os objetos estavam sobre a prensa hidráulica de 15 toneladas usada para comprimir a cocaína nas ferragens das malas.O processo para ocultar a droga era feito artesanalmente pelo ferramenteiro Edmilson Alves de Moura, de 28 anos, que também foi preso. Moura retirava os puxadores das malas de rodinhas e fechava uma das extremidades com material plástico. A cocaína era acoplada nos vãos dos ferros com a prensa. Assim que a droga era colocada nos tubos, o ferro era fechado na outra extremidade e a mala estava pronta para ser levada para a Europa e Oriente Médio por pessoas contratadas para o transporte. Cada uma recebia, em média, US$ 3 mil e passagens."É um trabalho perfeito, difícil de ser descoberto", disse o diretor do Denarc, Ivaney Cayres de Souza. Cada mala leva 1,5 quilo de cocaína. A droga era entregue em cidades como Amsterdã, na Holanda, Síria e Damasco, no Oriente Médio. Segundo o delegado Cayres de Souza, a conexão libanesa é uma das principais responsáveis pelo tráfico internacional de cocaína.

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