Prisão em escola acaba em tumulto

Serra anuncia pacote antiviolência após confusão que começou porque alunos estariam usando drogas

Fábio Mazzitelli e Vitor Sorano, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

Com histórico de drogas envolvendo alguns alunos, a Escola Estadual Professor Antonio Firmino de Proença, na Mooca, zona leste de São Paulo, chamou a Polícia Militar ontem para deter dois alunos que estariam portando entorpecentes. Em resposta à intervenção da PM, que usou gás pimenta na ação, colegas dos jovens detidos iniciaram uma depredação, com 47 vidraças quebradas. O tumulto causou a dispensa dos alunos da manhã e a suspensão de aula nos outros períodos.Fundada em 1946, a Firmino foi o berço escolar nos anos 50 do governador José Serra (PSDB), que sempre se refere a ela com carinho. Ele adiantou ontem que anunciará ainda neste mês um pacote de combate à violência nas escolas. O plano já havia sido prometido para fevereiro e previa, inicialmente, a criação de um setor de prevenção à violência, treinamento para professores e um programa para a mediação de conflitos.O problema da violência nas escolas paulistas ganhou destaque em novembro, quando uma briga generalizada entre alunos da Escola Amadeu Amaral, no Belém, zona leste, terminou com uma jovem ferida e o prédio depredado. Serra tratou da confusão de ontem na Mooca como "um evento de violência". "Não é um fenômeno que está se agravando. Estamos trabalhando para diminuir isso." Em relação às drogas, porém, a Secretaria da Educação admitiu que é uma questão recorrente na Firmino. A pasta diz que a direção do colégio da Mooca já havia avisado, em ocorrências anteriores, a PM e o Departamento de Narcóticos (Denarc). Ontem, a direção resolveu "comprar a briga". A polícia foi chamada porque dois garotos matriculados na unidade - um de 14 anos e outro de 17 - pularam o muro da escola, invadiram o local fora do horário de aula e estariam fumando maconha no pátio, por volta das 9h30, segundo relato do diretor à polícia. Não foram encontradas drogas com os jovens, detidos à força no banheiro da escola e liberados do 8º DP (Mooca) à tarde, na companhia de responsável legal. Eles assinaram um ato infracional.Depois que souberam que os colegas haviam sido detidos, alunos se solidarizaram e iniciaram um tumulto que atingiu corredores, salas de aula e o pátio. Carteiras foram jogadas nas vidraças e lixeiras, tombadas, lançando lixo pelo pátio. Os estudantes foram dispensados por volta das 11h30, quando as aulas foram suspensas e a PM, chamada de novo.Três alunos que estudam de manhã foram apontados por funcionários como pivôs da quebradeira e o futuro deles será decidido no próximo sábado, em uma reunião do Conselho de Escola. A punição máxima seria obrigá-los a procurar outra unidade para estudar. A transferência obrigatória do aluno equivale à expulsão no ensino público. COLABOROU CAROLINA FREITAS

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