Prisão preventiva para 12 acusados de tráfico de órgãos

A delegada federal Karla Gomes, que preside o inquérito que apura a rede internacional de tráfico de rins a partir de Pernambuco, pediu à justiça federal a prisão preventiva das 12 pessoas suspeitas de participação no esquema e que estão presas de forma temporária. O prazo da prisão de 10 deles expiraria à meia-noite de hoje. Um outro foi solto mediante hábeas corpus e o último tem a prisão temporária válida até a meia-noite de sábado. Tudo o que foi já foi apurado no inquérito foi encaminhado hoje para apreciação da Procuradoria Geral da República, cujo parecer iria dar base à concessão ? ou não ? da preventiva, pela juíza federal Amanda Torres de Lucena.Os hábeas corpus impetrados nesta semana pelos advogados de dois dos presos ? o médico aposentado da Polícia Militar JoséSílvio Boudoux da Silva e a advogada Terezinha Medeiros ? foram negados. O advogado do médico, José Siqueira, prometeuentrar hoje com um mandado de segurança contra a delegada porque ela teria se negado a lhe dar acesso aos autos do processo(que corre em segredo de justiça), como determinou o desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF ? 5. Região), Petrúcio Ferreira. ?A delegada Karla Gomes teve uma atitude arbitrária ao descumprir uma ordem judicial?, reclamou ele, ao afirmar ter ido à Polícia Federal para pesquisar o processo, sem sucesso, porque a delegada argumentou estar em audiência.O advogado assumiu ontem a defesa do capitão aposentado da Polícia Militar, Ivan Bonifácio da Silva, apontado como um dosarticuladores do tráfico, junto com o oficial da reserva do Exército israelense Gady Tauber Gedalya ? ambos presos. De acordo com o advogado, o capitão Ivan teve participação na operação como intérprete e não havia contratado um advogado antes por falta de recursos. ?Ele tem um carro Corsa 95 financiado, está com o nome sujo no Serasa e mora no apartamento da filha?, disse Siqueira.Pelo menos 30 pernambucanos foram aliciados num esquema supostamente articulado pelos dois oficiais. Eles eramarregimentados em bairros pobres da região metropolitana, passavam por exames médicos, tiravam passaporte e seguiam paraDurban, na África do Sul, onde se submetiam a uma cirurgia para retirada de um rim, pelo que recebiam entre US$ 6 mil e US$10 mil. Depois retornavam ao País. Estima-se que cada transação de rim envolveria US$ 150 mil.

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