Privatização do aeroporto de Confins é alternativa, diz Aécio

Assim, aeroporto mineiro também entraria no estudo do governo para privatização de terminais em SP e Rio

Raquel Massote, Agência Estado

24 de setembro de 2008 | 15h44

O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB) admitiu nesta quarta-feira, 24, que a privatização do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, é "uma alternativa", para a obtenção de recursos necessários à ampliação. "Se, obviamente, o governo federal optar por não investir, por não ter um projeto estratégico para investimento em aeroportos, a privatização é uma alternativa, mas não chegamos ainda a ela. Eu quero ter ainda uma conversa com o presidente da República", afirmou o governador.   Veja também: Deputados divergem sobre a concessão de aeroportos no Brasil Aeroportuários criticam futura concessão ao setor privado Concessão de aeroportos causará perda de receita, diz Infraero Lula confirma concessão do Galeão e Viracopos, diz Cabral Das medidas anunciadas, só uma vigora Especial sobre a crise aérea    O governo federal já autorizou a realização de estudos para a concessão à iniciativa privada dos aeroportos do Galeão, no Rio, e Viracopos, em Campinas (SP). A modelagem de privatização será avaliada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a expectativa é de que estes estudos estejam concluídos ao final do primeiro trimestre de 2009. Em Minas, o governo vem desenvolvendo um plano estratégico para o modal aéreo no Estado, incluindo o aeroporto de Confins e entorno e pretende revisar, junto à Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) o chamado plano de operações do aeroporto de Confins, já a partir de 2009.   Depois de ter passado vários anos com alto índice de ociosidade, Confins passou a concentrar o maior número de vôos com destino a Belo Horizonte, antes direcionados ao Aeroporto da Pampulha, em 2005. O volume de passageiros que passaram pelo aeroporto foi de 389 mil em 2004 e deve chegar a 5,3 milhões este ano. A meta é transformar Confins em um "hub", oferecendo vôos com conexões para outras regiões do Brasil.   O plano de desenvolvimento do Aeroporto Tancredo Neves prevê a ampliação da capacidade atual de 4 milhões para 20 milhões de passageiros/ano dentro de 25 anos e mais 150 mil toneladas de transporte/ano de carga. Para isso, o governo pretende pleitear à Infraero a construção de um novo terminal de passageiros, que poderá consumir investimentos de R$ 140 milhões e a construção de uma segunda pista, para duplicar o tráfego aéreo.   Nesta quarta, Aécio recebeu a diretora-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Solange Paiva Vieira, no Palácio da Liberdade e discutiu a intenção da agência reguladora de transferir alguns vôos de grande porte de Confins para a Pampulha. "A posição clara do governo é que lá (Pampulha) não voarão aeronaves com mais de 100 passageiros e que voem diretamente para outras capitais ou para outros destinos fora do Estado", enfatizou Aécio. Ele reiterou, porém, que aeronaves ou empresas que queiram ampliar o número de vôos para o interior de Minas atendem ao interesse do Estado. "Há um espaço enorme para o crescimento da aviação regional e, se nós fizermos um planejamento conjunto, não haverá qualquer ociosidade no Aeroporto da Pampulha".   Conforme o governador, a diretora-presidente da Anac argumentou que a agência não "pode criar determinadas limitações às empresas". Mas para ele, a medida não pode ser "imposta de cima para baixo", comprometendo o processo de desenvolvimento do Estado. Segundo Aécio, o retorno de vôos para a Pampulha significaria "um retrocesso". "Eu acredito no diálogo e a partir do mês que vem vamos envolver a Infraero nesse diálogo", afirmou. Para ele, a empresa é "devedora" do Estado por ter realizado diversos investimentos expressivos em vários estados brasileiros e não em Minas.   Solange Vieira participou de solenidade em que foi assinado um protocolo de intenções com o governo mineiro para a criação de um Pólo de Aviação Civil em Minas, destinado à formação e capacitação de mão-de-obra especializada para o setor, a um custo menor para os interessados. O projeto é o segundo lançado no País em convênio com a Anac. O primeiro foi desenvolvimento no Rio Grande do Sul com o programa de Formação de Pilotos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.