Problema no tráfego aéreo não foi resolvido, diz especialista

Diante das especulações de um novo caos aéreo, após os índices de atrasos terem passado da casa dos 30% no último domingo, 18, e segunda-feira, 19, a ´novidade´ é que a infra-estrutura do controle de tráfego continua sem resolução por parte do governo federal. A avaliação é do especialista em aviação e consultor da Bain & Company, André Castellini. "Não há novidades, o que há de novo é que a questão da estrutura do controle de tráfego aéreo ainda não foi resolvida", reitera o especialista.Por sua vez, afirma Castellini, as companhias aéreas aprenderam a lidar melhor com esta situação. "As empresas tem se mostrado mais preparadas para lidar com essa situação. Elas aprenderam e se fortaleceram com a crise vivida no final do ano passado", diz. "As duas principais empresas estão mais organizadas", acrescenta, em referência às líderes do mercado, TAM e Gol.Segundo o especialista, falar em caos novamente, frente aos recentes atrasos, é "um exagero", mas ele admite que os atrasos não deverão ser resolvidos em um curto prazo. "Pelo que ouço, as empresas estão achando que a questão dos atrasos não serão resolvidos em um curto prazo".Para Castellini, embora o mercado esteja aquecido, com crescimento no número de passageiros, poderia ser ainda melhor se não fossem os gargalos de infra-estrutura (controladores e equipamentos) no setor aéreo. "Poderia ter ainda mais crescimento se não houvessem esses problemas", considera.Ainda assim, avalia o especialista, o mercado não é muito afetado, pois não há concorrência. "Como dois terços dos passageiros voam a negócios, e esse tipo de viagem tem que ser rápida, existe pouca alternativa. Quem voa a negócios é porque precisa voar. Não dá para fazer de ônibus ou de carro. Mas, se fosse mais conveniente, além de aumento no número de passageiros a negócios, também teria crescimento em passageiros de turismo", acredita.Com relação a discussão em torno da criação de uma CPI do Apagão Aéreo, o especialista diz que, do ponto de vista da indústria, o mais importante é que ela não trave, ou desacelere, os investimentos e as resoluções para as melhorias necessárias para o setor aéreo. "É fundamental que, com CPI ou não, não diminua a velocidade dos investimentos no setor", pontua.Por fim, Castellini ainda faz um comparativo com os Estados Unidos. "Lá há muitos cancelamentos, mas por motivos meteorológicos. São problemas que não tem como resolver. O nosso caso não. Ele pode ser resolvido, é só uma questão de resolver", conclui.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.