Problemas que a Mega-Sena traz aos ganhadores

Morte de Renné Senna, no Rio, e impasse entre patrão e funcionário em Santa Catarina são alguns

Talita Figueiredo e Júlio Castro, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2008 | 21h46

A loteria mais conhecida da Caixa Econômica Federal, além de ser motivo de alegria para muito dos sortudos, também traz alguns problemas para os ganhadores, como assassinatos e desavenças. O caso mais recente, que ocorreu no domingo em Limeira, no interior de São Paulo, traz à memória a morte do ex-lavrador Renné Senna e do impasse entre patrão e funcionário em Santa Catarina. Já dura um ano e três meses o imbróglio judicial que determinará quem será o dono dos R$ 27,7 milhões do prêmio do concurso 898 da Mega-Sena sorteado no dia 1º de setembro do ano passado. Em primeira instância, há cerca de quatro meses, a Justiça de Joaçaba (SC) determinou a divisão do prêmio entre o marceneiro Flávio Júnior Biass e o seu patrão Altamir José da Igreja.  Porém os dois recorreram da decisão através de um recurso junto ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina, em Florianópolis. O processo deve ser julgado apenas no início do ano que vem. Por determinação judicial, o valor se mantém depositado numa caderneta de poupança da Caixa Econômica Federal até que saia a decisão final. Flávio, que inicialmente concordava com a divisão do prêmio, agora quer que a justiça diga de quem é o bilhete.  Segundo o marceneiro, ele teria pegado uma carona com seu chefe Altamir e um colega de trabalho no final da manhã do dia 1 de setembro do ano passado. No caminho aproveitaram para fazer uma aposta na Mega-Sena, mas não havia vaga para estacionar em frente à lotérica. Para não perder a carona, Flávio decidiu entregar o bilhete contendo os números escolhidos para o patrão, juntamente com R$ 1,50 da aposta, já que Altamir prometera passar na lotérica mais tarde. Pelo acordo verbal, na presença de um colega, Flávio se dispôs a dividir o prêmio com o patrão caso fosse premiado. Vizinhos, como testemunhas, disseram ter ouvido Altamir comemorar confirmando que as seis dezenas sorteadas faziam parte de uma combinação do celular de Flávio. Mudou sua versão na segunda-feira ligando para a família de Flávio avisando que o bilhete premiado era outro e oferecido uma moto ao empregado como prêmio consolação.  Crime O ex-lavrador Renné Senna, vencedor do concurso 679 da Mega-Sena em julho de 2005, foi assassinado em janeiro do ano passado quando bebia em um bar no município de Rio Bonito, na Região Metropolitana do Rio. A viúva, a cabeleireira Adriana Almeida, é acusada de ser a mandante do crime e ficou presa de janeiro do ano passado a junho deste ano. Ela foi solta por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que considerou que ela sofria "constrangimento ilegal" por causa da demora no julgamento. Além da viúva, também respondem ao processo pela morte de Senna cinco outras pessoas: os ex-seguranças dele, Edinei Gonçalves, Anderson Sousa, Ronaldo Amaral e Marco Antonio Vicente e Janaína Sousa, mulher de Anderson Sousa, que seria amante de Adriana. O julgamento dos acusados no Tribunal do Júri já foi adiado duas vezes. Nova data ainda não foi marcada. Na semana passada, a Justiça do Rio determinou o desbloqueio dos bens do Senna em favorecimento de sua filha, Renata Senna, que terá direito aos cerca de R$ 11 milhões. A parte dos bens, móveis e imóveis, que cabe à viúva continuam bloqueados.

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